sábado, 27 de novembro de 2021

Ninguém é de ninguém

Meu caríssimo João Pedro Pais, ou como agora se pode dizer, minha cara Marília Mendonça portuguesa do sexo masculino.
Ninguém é de ninguém, mesmo quando se ama alguém.
Porque se alguém for de alguém, não é amor, mas sim posse.
E posse leva a uma possessão, que não é saudável em termos sentimentais, canalizando todo o amor, para a tristeza.
Às vezes durante os dias, bate-me a melancolia, a dor da solidão, mesmo gostando de estar só, mas detestando sentir-me só.
Os phones que coloco nos ouvidos, tocam o que as ondas hertzianas me dão.
Até porque 90% das vezes que estou a ouvir música, faço-o através da rádio.
Quando me sinto neste estado de tristeza, muitas vezes as ondas hertzianas não ajudam, e tentam mudar à força, o meu estado de espírito, para umas vibes melhores.
Outras vezes, as ondas hertzianas dão uma boa ajuda, para cair nessa depressão, que não é saudável, mas que como em tudo na vida, é passageira.
Ultimamente os temas dos meus textos, têm andado um pouco à volta do mesmo.
Amor próprio, saudade, solidão, e fecho 90% dos meus textos, depositando toda a confiança no perfeito divino (Deus).
Mas às vezes, há situações que partem de nós.
Seja para o bem, ou para o mal.
As vibes e as energias que nos afundam na merda, são também uma forma de ver, que nem tudo está certo.
Que por muito que possamos pedir por estabilidade, e por muita força de vontade que possamos ter para adquiri-la, infelizmente, ainda não se vende estabilidade nos supermercados.
Ainda hoje a minha mãe perguntou-me o que queria para os anos.
E eu respondi: paz.
Como se houvesse paz à venda nos supermercados.
Mas afinal o que é a paz que eu procuro?
É a paz aliada à felicidade extrema, ao sentimento de realização pessoal e profissional a todos os níveis, como já senti outrora.
É a estabilidade definida de uma vida, e da concretização final de todos os nossos objetivos e sonhos.
Mas às vezes, parece que esses objetivos e sonhos são muito maiores que eu, e que por muito que salte, por muito que me coloque num trampolim aos pulos, não os consigo alcançar.
E não é por falta de vontade ou de qualidade pessoal e/ou profissional.
A realidade dos meus dias, não tem estado comigo nesse sentido.
Mas depois olho para tudo de uma maneira diferente.
A Universidade que me veio trazer alegria, e uns ramozinhos de esperança, de que ainda nem tudo terminou aos quase 23 anos de idade.
Confesso que já me esperava estável nesta altura do campeonato, mas infelizmente, não tenho conseguido chegar a isso.
Para já, a estabilidade centra-se na estabilidade psicológica e emocional.
Depois, vem o restante.
O importante é não queimar etapas.
Por muito duras que possam ser.
São provações, pelas quais temos que passar, para tornar-nos de ferro, mesmo que o corpo humano seja constituído por ossos, órgãos e carne.
Ninguém é de ninguém.
Nem eu sou de alguém.
Nem alguém é de mim.
Apenas de nós mesmos.
Porque quando fechamos os olhos, e deitamos a cabeça na almofada, sentimos que nós somos apenas de nós, e de mais ninguém.

terça-feira, 16 de novembro de 2021

Amor de Perdição

Amor, amor, amor...
Bem, amor, o único que conheço diariamente, é o amor próprio.
É nesse amor que mais me tenho focado, dia após dia, noite após noite, ao longo destes últimos meses.
O amor próprio é um amor egoísta, mas quem não o tem, não está deveras preparado para viver os dias de hoje, onde tudo é descartável e substituível.
É como viver numa grande metrópole.
Vemos inúmeras pessoas a andarem sozinhas pelas ruas, de um lado para o outro, muitas vezes sem destino.
O título do texto, vai de encontro a essa bela obra portuguesa, que se dá no término do ensino secundário.
Escrita por Camilo Castelo Branco, que faleceu em Vila Nova de Famalicão (terra que bem conheço), e por isso, o clube de futebol local, utilizou o título desta obra, como o seu principal slogan.
Amor de perdição, que era também o slogan de duas pessoas que se amaram, e que um dia perderam-se.
Uma história um pouco diferente da obra verdadeira, mas que não envolveu mortes, porque não calhou.
Nas entrelinhas da saudade, recorda-se o melhor de mim, o melhor que tive, e esse amor de perdição, que me deixou tão perdido, como nenhum outrora.
Por muito que a realidade hoje, seja diferente dos tempos da "perdição", atualmente suspiro e expiro, não me expirando, por um novo amor de perdição.
Que me leve à perdição, mas que acabe, como na verdadeira obra, quando a morte levar um de nós.
Amar é dos exercícios mais lindos que podemos viver.
Respiramos amor, vivemos amor, olhamos amor, ouvimos amor, cheiramos amor, tocamos amor, pensamos amor, sentimos amor.
Todos os nossos sentidos envolvem-se em intermináveis corações, se vivêssemos numa vida de emojis.
O verdadeiro amor, ultrapassa tudo, coloca-nos num estado pleno, de ternura, de sentimento profundo e de prazer.
Não é fácil escrever sobre amor, jamais o será.
Sobretudo por quem não o sente há demasiado tempo.
Mas a fé de encontrar esse verdadeiro amor de perdição, que vai vir para ficar, perde-se apenas quando olho para o estado atual da minha geração.
Mas sei que com a fé que tenho em Deus, sei que Deus vai me arranjar alguém extremamente incrível, e que se encaixe na perfeição em mim, visto que só Deus é perfeito.
Depois de saradas 90% das feridas, apenas há que seguir sem medo, vivendo um dia de cada vez, porque Deus dá-nos sempre o que precisamos, e na maioria das vezes não dá o que queremos.
Há que saber aceitar a vontade divina.
Mas que a vontade divina, me livre, de voltar a passar pela perdição, de um amor passageiro.

sábado, 6 de novembro de 2021

Desabafos de um congelador

À medida que a data vai avançando, e me aproximo de uma data marcante, e despreocupada, a saudade vai palpitando no coração.
Disseram-me que a saudade é uma forma de amar.
E se realmente é, eu continuo a amar quem eu não quero.
E por falar em saudade e de datas, faltam poucas horas para voltar a reviver tudo.
Reviver esse "relato da saudade".
Reviver a terceira parte de uma saga, que só peço a Deus que tenha fim.
Que seja a terceira e a última parte deste filme, deste pesadelo que muito me mudou.
Desde há ano e meio para cá, nunca mais fui o mesmo.
E creio que nunca mais vou ser.
Os mais próximos, os que me conheceram de verdade, percebem isso perfeitamente.
Pelo excesso de maturidade nas conversas, de quem antes era um pouco imaturo, despreocupado e verdadeiro amante da vida.
Pelo olhar que muitas vezes se baixa, quando há temas que nos são tão sensíveis, e que fazem o coração palpitar de uma forma diferente.
Pelo sorriso que sai de uma boca, mas que é um sorriso diferente, de alguém que tomou o sofrimento, e que apenas sorri, sem ter conta que os outros se apercebem que este sorriso, não é o mesmo, antes de toda esta saga, quando tudo era loucura, nem tudo felicidade, mas tudo liberdade.
Por muito que eu esteja livre há praticamente ano e meio, a realidade é que ainda me vou aprisionando.
A realidade é que por mais chutos que dê no esférico, a esferográfica da vida não altera o meu vaticinio para os sentimentos mais intensos e felizes que alguma vez vivi.
Mesmo que tudo mude de hoje para amanhã, de amanhã para depois de amanhã.
A rotina não existe, quando estamos constantemente a abrir e a fechar a porta de um congelador.
O congelador que não sabe bem o que faz, porque não consegue congelar, mas também não consegue descongelar.
E isto, é o que vou sentindo.
Congelo e descongelo frequentemente os meus sentimentos.
Se pudesse escolher, preferia não sentir, e congelar tudo, ao ponto de quando me espetassem uma faca no corpo, sair gelo em vez de sangue.
Aí sim, teria certeza que não sentiria.
Mas se o gelo queima, com tanto gelo, o frio torna-se quente, e tudo volta novamente a descongelar em quem sente.
A lágrima que se encontrava congelada, volta a escorrer.
A ansiedade de quem tem medo do futuro, regressa, colocando-nos ofegantes de tristeza.
As cicatrizes de um corpo, e de uma alma carregada de mágoa, sem a sentir ao mesmo tempo, voltam a doer, quando se passa um dedo por cima dessas cicatrizes físicas, e um pensamento ou sentimento de saudade por essas cicatrizes da alma.
O futuro risonho que tanto queremos, e que tanto nos esforçamos para acreditar que o vamos ter, acaba por nos fazer baixar a cabeça, e conformarmo-nos com a verdadeira realidade em que vivemos, quando olhamos para o tempo, e nos apercebemos o tempo que já passou da última vez que sentimos a verdadeira felicidade.
Da última vez que choramos de alegria.
Da última vez que sorrimos e beijamos com os olhos.
Da última vez que nos arrepiámos com um simples toque.
Da última vez que a boca sentiu prazer de um sentimento de amor, ficando ela a pedir por mais incessantemente.
Da última vez que o coração se encheu tanto, e que palpitava com toda a intensidade, devido à felicidade que ele sentia.
Tentar acreditar em algo que já vivemos, que nos esforçámos tanto para conquistar, e que de seguida perdemos, faz nos questionar constantemente sobre a verdadeira política da vida, se é que existe alguma política da vida.
Mas ao mesmo tempo, este foi o caminho que a vida escolheu para mim.
Sem ter muito voto na matéria, ou poder de decisão.
Gostava de poder ter algum poder de decisão, porque se tivesse...
Não deixaria com toda a certeza tudo no caos em que se encontra há tanto e tanto tempo.
Os sonhos continuam a ser mais pequenos a cada dia que passa.
Sobretudo quando não vivemos num conto de fadas.
A mim continua a restar-me pegar num terço diariamente, como o faço, acreditando que apenas o divino pode alterar o rumo de tudo aquilo que tenho vivido.
Porque se a esperança é nula, ao menos que a fé me continue a manter firme, por estas provações de alguém que já se "chateia" de ser rato de laboratório.

Dia de Todos os Santos

Hoje é dia de recordar todos aqueles que nos inspiravam, de quem gostávamos ou amavamos, e de quem queríamos que estivesse cá fisicamente, mas que infelizmente já não está.
Os Santos deste dia no céu, foram um dia os Santos desta terra.
Este dia, é apenas um dia simbólico, um dia de homenagear pessoas que tanto nos marcaram, ou que tanto fizeram por nós.
O dia de comprar as melhores flores para os nossos queridos Santos que tivemos oportunidade de conviver neste planeta, juntarmos a família, e atravessar o portão, as paredes sempre enormes de um cemitério, chegarmos junto de onde jaz os nossos queridos santos, benzermo-nos e rezarmos o pai nosso, e a avé Maria em honra das pessoas.
Não falei em mortos, porque acredito que as pessoas não morrem enquanto são lembradas.
Apenas desaparecem fisicamente.
E hoje é o dia de lembrarmos essas mesmas pessoas.
É dia de lembrarmos esses Santos, e pedirmos a eles para intercederem por nós, lá em cima.
Mas ao mesmo tempo, tudo não passa dessa homenagem que frisei, porque no cemitério, apenas está o orgânico, apenas está a matéria.
Muitas vezes ajoelhamo-nos, choramos ao pé de onde jaz uma pessoa (e é totalmente normal isso acontecer), mas todos sabemos na realidade, que naquele local, apenas está uma homenagem, porque a pessoa já não está ali.
Pode estar lá em cima, como no segundo depois está na nossa cabeça, na arte de recordarmos os melhores momentos que passamos com essa pessoa, como pode estar de seguida no nosso coração, na arte de gostarmos ou amarmos para sempre essa pessoa, mesmo que já não esteja fisicamente entre nós.
Porque se este dia de todos os Santos tem tanto de simbólico, então que a simbologia deste dia permaneça durante todos os dias da nossa vida.

Num abrir e fechar de olhos

De um pensamento, que a pouco e pouco passa a sentimento.
Sempre que abrimos os olhos a um sonho, fechamos os olhos à realidade.
O sonho leva-nos pelas asas do pensamento, daquele que seria o mundo ideal.
O nosso mundo de sonho, os nossos planos, as nossas ideias, o nosso querer...
Tudo nesse mundo é tão lindo, que o arco-iris colore o céu, as árvores assobiam, os pássaros cantam, o mar sorri.
Imaginar o mundo dos sonhos, dá-nos vida.
Mas passado esse tempo de imaginação furtiva, acabamos por fechar os olhos aos sonhos, e abrimos os olhos à realidade.
A realidade, não é tão inspiradora, como essa imaginação dos sonhos.
Neste mundo da realidade, nem tudo é lindo, o azul nem sempre colore o céu, e ultimamente onde vivo, o céu é mais composto pelo cinzento que pelo azul, as árvores respiram, mas muitas vão para o matadouro, os pássaros mal conseguem viver devido à poluição, o mar cada vez se torna mais agressivo, e sem vida.
Curiosamente tudo o que descrevi, pode ser lido em 2 contextos.
No contexto real, ou no contexto metafórico.
Neste contexto metafórico, abrir os olhos aos sonhos, é continuar a acreditar.
A acreditar que um dia vou voltar a viver o que sonhei e vivi noutrora.
Que a vida não se esqueceu de mim, e que posso continuar a acreditar que pode ter passado uma fase excelente, mas que mesmo assim, ainda vem algo melhor que aquilo que já vivi.
Mas depois abrindo os olhos à realidade, praticamente perdemos a esperança.
As dores das provações, a dureza da vida que carrego, a distância a que estou daqueles que mais gosto...
Tudo se torna tão negro num abrir e fechar de olhos.
Mas que um dia, num abrir e fechar de olhos, esteja a viver durante o resto dos meus dias, tudo aquilo que sonho e sonhei.

13 de Outubro

No dia 13 de Outubro, a Igreja Católica celebra a última aparição de Nossa Senhora em Fátima, aos 3 pastorinhos, Francisco, Jacinta e Lúcia.
Em 1917, nesta mesma data, foram milhares as pessoas que relataram a visão do milagre do sol (entre 30 a 40 mil pessoas, entre eles, alguns jornalistas da época).
Nossa Senhora, pediu neste dia aos 3 pastorinhos, que rezassem o terço todos os dias, e que fizessem uma capela naquele local.
Frisou ainda que a guerra (1ª guerra mundial) iria terminar, e que os militares voltariam em breve às suas casas.
Lúcia pediu que Nossa Senhora curasse alguns doentes.
Respondeu a Senhora do Rosário de Fátima, que curaria uns, outros não, frisando que era necessário a conversão e pedido de perdão dos pecados, para que fossem alcançadas essas curas e graças.
A Senhora de Fátima fez um último pedido: "Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor que já está muito ofendido."
Pela mensagem deste dia, há 104 anos, podemos constatar tantas coisas que ainda hoje acontecem. As guerras, podendo falar mais recentemente do caso afegão, ou das guerras que cada pessoa tem no seu dia a dia, a ausência de crença e de oração por parte dos demais fiéis, o facto de se usar tanto o nome de Deus em vão...
Em 1930, nesta mesma data, a Igreja Católica reconheceu oficialmente este milagre do sol, e com isso, reconheceu Fátima, como um local de fé bendito.
Fátima pertence a um lote muito restrito de aparições reconhecidas pelo Vaticano (falamos em cerca de apenas 20 aparições reconhecidas pela Santa Sé).
Em 2021, serão milhares os fiéis que voltarão, outros que irão pela primeira vez, à Cova de Iria.
Na data do adeus, ou da última aparição de Nossa Senhora aos 3 pastorinhos, serão inúmeros os fiéis que se arrepiarão, e se emocionarão ao cantar o "Adeus de Fátima", na Procissão do Adeus.
Um Adeus, que não é um adeus, pois quem tem fé e crença, acredita que a Senhora de Fátima não nos abandona.
Neste dia 13 de Outubro, saibamos ser fiéis aos pedidos feitos por Nossa Senhora em Fátima.
Saibamos entregar as nossas vidas, as nossas provações, os nossos medos, os nossos sonhos, nas mãos da Senhora de Fátima.
Para que como há 104 anos em Fátima, ela possa fazer o milagre do sol nas nossas vidas, no meio da escuridão que o planeta se tornou.
Nossa Senhora de Fátima.
Roga por nós! 

13 de Outubro

Da nação

Falo da nação...
De uma nação valente e imortal.
De uma nação que os seus governantes tentam tornar a cada dia que passa, mais frágil e mortal.
De uma nação que cada vez menos, tem qualidade de vida.
De uma nação em que boa parte da população é obrigada a abandonar o seu país, para conseguir alguma qualidade de vida, a pensar no futuro seu, e dos seus.
De uma nação que mesmo querendo formar incultos, fruto do seu método de ensino imposto, que continua a ter os melhores profissionais a nível mundial, nas mais diversas áreas.
E esses profissionais?
São desvalorizados por uma nação cada vez mais podre, fruto dos governantes frisados acima.
Profissionais esses que muitas vezes são obrigados a abandonar a nação que lhes viu crescer, à procura de serem valorizados nas suas áreas de relevo.
De uma nação que tem todas as condições para ser uma das maiores potências mundiais, mesmo não tendo riquezas.
Mas as maiores riquezas que esta nação tem, é sem dúvida as pessoas, o acolhimento e a humildade.
Humildade de um povo, em que esses governantes aproveitam-se e abusam a cada dia que passa.
Por saberem que esse mesmo povo não irá sair à rua para gritar.
Por saberem que ninguém lhes vai obrigar a embalar a trouxa e zarpar, citando o grande Zé.
Uma nação que quando os que estão fora regressam, dão um beijo à Zefa, e um abraço ao João.
Porque por muito grande que lhes possa parecer, são estes portugueses que têm o mundo na palma da mão (citando a banda "Xutos & Pontapés).