segunda-feira, 30 de agosto de 2021

You'll Never Walk Alone

O título deste texto, dá uma ideia daquilo que irei transmitir ao escrever mais uma reflexão.
A tradução é algo do género como "nunca caminharás sozinho".
Curiosamente é também o título de uma das músicas que conheço, que têm mais força, esperança e perseverança, no que toca à letra.
O tema foi escrito para um musical, mas anos mais tarde, tornou-se no hino oficial do Liverpool FC.
A música diz nos que quando estamos no meio de uma tempestade, que devemos manter a cabeça erguida.
Às vezes é bastante difícil.
Há tempestades, que às vezes, não são apenas meras tempestades.
Porque a força da natureza, é maior que toda a nossa força.
E esta frase, dá para usá-la nos vários sentidos que a vida tem.
Seja mesmo no estado puro da natureza, como no estado da vida de cada um de nós, em que nem sempre, com todas as forças que possamos ter para alcançar algo, conseguimos, avaliando também se essa força da natureza está a nosso favor, contra, ou abstendo-se de qualquer força.
A mesma música, continua dizendo que não devemos ter medo do escuro, e que no final de uma tempestade, há um céu dourado, e um "cantar prateado de uma andorinha".
É verdade que não devemos ter medo do escuro, mas às vezes a escuridão, traz à tona o pior de nós.
A maneira de combater tudo isto, é tendo esperança.
Aceitar verdadeiramente com o coração, tudo o que possa estar a acontecer na nossa vida.
Porque quando mais cedo uma pessoa aceitar aquilo que está a viver ou a sentir, mais rapidamente a tempestade e essa escuridão termina, começando a ver de seguida esse "céu dourado" e ouvindo o "cantar prateado de uma andorinha", como nos diz a música.
Independentemente dos nossos sonhos serem jogados ou destruídos, devemos continuar a caminhar pelo vento ou pela chuva, continuando a andar, sempre com esperança no coração.
E é a esperança através da fé, que nos transforma.
Que faz com que a escuridão do início, passe de seguida para a iluminação.
Que a tempestade, passe ao "céu dourado".
Porque no dia em que tiver dúvidas para onde estou a caminhar, sei que jamais irei caminhar sozinho, mas com Deus sempre ao meu lado.

sábado, 28 de agosto de 2021

Crucificação

O primeiro texto totalmente católico que irei escrever (ou pelo menos tentar, porque falar de algo perfeito, não é fácil).
E quem não for católico, ou não tiver qualquer religião, com todo o respeito que tenho por essas pessoas, pode sempre passar à frente, porque neste texto falarei sobre alguém.
A alguém que creio.
A alguém que adoro.
A alguém que espero.
A alguém que amo.
Prego após prego, dor após dor, chaga após chaga.
Podia falar do corpo desse alguém que adoro, mas a frase descrita acima, pode também definir aquilo que é a minha alma e a minha vida.
O prego, é as machadadas que a vida nos vai dando.
São os momentos de provação, que passamos nas nossas vidas, para confirmar quem é na realidade fiel, àquilo que nos incutem desde novos, e que vamos renovando diariamente, semanalmente, mensalmente, anualmente, e durante todo o decorrer desta etapa da vida, com muita crença e muita fé.
A dor é o resultado desse prego, cravado na cruz.
É o sofrimento, sobretudo no interior de alguém, mesmo que esse sofrimento não seja físico, como no caso desse alguém que amo.
No meu caso, e no caso da maioria da sociedade, a dor que é interna, acaba por ser mental, social ou espiritual.
Mas mesmo nesses momentos de tribulação, há sempre a solução de nos agarrarmos à cruz, à espera que tudo mude, e que essa dor passe.
E se tivermos fé, tudo passa.
Se tivermos fé, tudo o que ambicionamos, conseguimos, agarrados a essa mesma cruz.
Porque aos olhos desse alguém que foi crucificado, não existem impossíveis.
As chagas, é tudo o que se exterioriza dessas dores.
É aquilo, que por muito que queiramos guardar apenas para nós, não conseguimos.
As chagas acabam indiretamente por ser as cicatrizes que nos marcam, e que honramos, desde que esse alguém que eu creio, carregou a sua cruz até ao calvário.
E desde desse momento, cada pessoa passou a carregar a sua própria cruz, através dessas provações que em cima falei.
Para que quando cheguemos ao calvário, que saibamos que este alguém que eu tanto espero, esteja lá ao meu lado crucificado.
Mas quem é este alguém?
Um alguém que morreu por nós, que nos salvou, e que nos ressuscitou.
Jesus é seu nome, e Cristo que criou o cristianismo, que é a sua igreja.
Se um dia a vida decidir me crucificar, mesmo que não seja no estado físico, que eu esteja ao lado do meu Salvador, para que 3 dias depois, ele me guie, e me possa levar também à alegria da ressurreição e da vida eterna.

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Gritos de revolta

Já deixou de ser um apanágio...
Parece que qualquer texto que escreva, que os temas desses mesmos textos vão sempre bater no mesmo.
Com reflexões diferentes a cada fase distinta da minha vida, mas na realidade, é mais do mesmo.
Os textos são mais do mesmo.
A vida é mais do mesmo.
E enquanto rezamos por tudo mudar, nada muda.
Ou muda com o tempo.
Mas para quem é ansioso e impaciente como eu, esperar não é um dom que esteja ao meu alcance.
Num grito de revolta a tudo!
Na habitual e constante tristeza e solidão, bem longe das pessoas que eu amo.
Num grito de revolta contra as saudades.
Num grito de revolta contra a ansiedade.
Num grito de revolta que cada vez mais se torna ensurdecedor.
Num grito que no meio do nada, e no meio do silêncio, que se faz ouvir.
Mas não oiço esse grito com os ouvidos.
E não é por nada que a minha banda musical favorita (Xutos & Pontapés), têm um tema com o nome de "Gritos Mudos", que chamam à atenção sem chamar, e numa "vida que se joga sem nenhuma razão".
Oiço esse grito a ressoar na cabeça de quem não tem cabeça para continuar a alimentar o pouco ou o nada que a vida nos vai trazendo.
Oiço através da alma.
Através do coração, que tem mil e um pedaços para juntar, mas no qual a vontade de juntar esses pedaços, é inexistente.
Não é que o meu coração seja um puzzle, mas se for, a única pessoa que conheço que gosta de puzzles, e que os faz tão bem e tão rápido, é a minha irmã.
E é ela, que quando faço os ingratos 600 quilómetros que me separam dela, que me consegue fazer momentaneamente este puzzle que se tornou o meu coração.
Mas voltando a fazer estes ingratos 600 quilómetros até à casa de chegada, tudo volta ao mesmo.
Para quem semeia muito, colher pouco ou nada é destabilizador.
Leva-nos a fazer várias questões sobre o que fazemos, se o que fazemos é certo ou errado.
E mesmo que as intenções de alguém sejam as melhores possíveis, é impossível alguém que tenha as melhores intenções para com outro alguém, ser bem sucedido, quando esse alguém está rodeado de m****.
É incrível que a única coisa que dá certo nesta vida, são estes mesmos gritos de revolta.
Os gritos de raiva, que me faz rangir os dentes, que me coloca o peito preso, por achar que tudo é insuficiente.
E que o insuficiente, não é nada mais, nada menos, que este estado de insuficiência.
Não é uma insuficiência cardíaca, mas sim uma insuficiência de personalidade, e de mentalidade.
Uma mentalidade que me traz maturidade, sem a trazer.
E se a maturidade devia-nos fazer com que não nos sujeitassemos a tudo, a realidade é que sinto a insuficiência dessa maturidade, quando prefiro perder-me a mim mesmo, do que perder os meus valores.
Os valores são alteráveis, mas a minha personalidade não.
E aquilo que eu faço, é o contrário daquilo que se deve fazer.
Há quem diga que sou bom conselheiro.
Mas para essas pessoas que seguem os meus conselhos, ou que são minhas amigas, prefiro dizer-vos aquela frase, que já é um clássico da vida: "faz o que eu te digo, não faças o que eu faço".
E é por não me ouvir a mim mesmo, que os gritos de revolta vão permanecer, até que tudo mude sem mudar.

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Aviões

Nunca tive o sonho de ser piloto de avião.
Aprendi a gostar de aviões, devido a vários fatores, mas creio que um dos fatores principais, foi sem dúvida o facto de ter de viajar várias vezes por via aérea, para ir à Madeira e aos Açores relatar futebol.
No local de trabalho diário, vejo todos os aviões, que fazem o seu processo de aterragem ao Aeroporto Sá Carneiro.
Inclusive aprendi com o tempo a gostar de aviões, e passei a ser quase que como um "fanático" pelo tema aviões.
Mas hoje, vou escrever sobre um avião em específico.
Um avião que espero pelo dia em que o destino que eu tanto quero, esteja disponível nos aeroportos deste mundo.
Se já existe um autocarro com o destino para os "Sonhos" (o 703 da STCP, e quem não acreditar, pode ir ao site da empresa pública de autocarros do Porto confirmar), a realidade é que espero pelo dia em que haja um avião, com destino ao "céu".
E na realidade os aviões voam pelo ar, vão a altitudes que chegam quase ao céu, mas não é desse céu do planeta terra que eu falo.
Falo sim, do céu, onde só há paz, amor e felicidade.
O cansaço da rotina diária, unida à saudade de quem está longe, leva-me a procurar muitas vezes outros voos.
E se fosse possível o ser humano voar, sem ser de avião, confesso que voaria sem pousar.
Apenas iria para onde o caminho me levasse.
Mas mesmo que não voo, creio que vou na mesma, para onde o caminho me leva.
E para onde ele me leva?
Nem eu sei, só Deus sabe.
Creio que não vale a pena perdermos tempo, ou "batermos crânio" naquilo que podia ter sido e não foi.
Ou por onde devíamos ter ido, e não fomos.
Na realidade, a vida vai arranjar sempre maneira de nos trocar as voltas, no que toca aos planos que possamos ter.
Por isso, não vivo de planos, mas sim de ideias, e de sonhos.
Se acontecerem, melhor, se não acontecerem, o segredo é não depositar expectativas naquilo que ainda não aconteceu sequer, porque não vale a pena, é tempo perdido.
E quando aprendemos a viver dessa maneira, conformamo-nos mais com a vontade de Deus, porque se Deus existe (e eu tenho a plena fé que sim), ele só quer o melhor para nós.
E é ele que faz a vida de cada pessoa ter sentido, sem fazer muito.
Porque se os aviões não voam tão alto quanto deviam, o meu desejo, é que chegue o dia, em que os aviões aterrem nesse céu, que descrevi em cima.

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Relato da Falsidade

À falsidade que me mete nojo.
À falsidade que me irrita.
À falsidade para a qual me falta a paciência.
Há pessoas que têm tanto de falsas, como de tóxicas.
Pessoas essas, que têm duas caras.
Pessoas a quem eu desejo que o famoso "karma" não se esqueça delas, na hora de colher o que andam a plantar.
Pessoas que não se importam que uma pessoa a quem amam, seja infeliz, devido a essa falsidade.
A minha vida que é feita de relatos, mas o relato da falsidade que cada vez mais reina no mundo, é um relato que não gostava de descrever.
À falsidade que leva as pessoas a falarem amigavelmente com alguém, e com uma mão, já têm uma faca preparada, para assim que virar as costas, espetarem a faca.
É nojento!
Pessoas que não se incomodam de viver a dificultar a vida dos outros, muitas vezes sem os outros se aperceberem, porque vêm com falsas boas intenções para cima delas.
Uma falsidade, que prejudica não só os outros, como pessoas a quem essas pessoas falsas também amam.
Sinceramente, prefiro que as pessoas sejam sinceras e frontais comigo, por muito que me possa efetivamente doer, do que andarem a alimentar as pessoas com falsas intenções.
À falsidade que é filha da p***.
À falsidade que não larga este mundo, nem nunca irá largar, enquanto as pessoas mal intencionadas, não se deixarem de achar donas e deusas deste mundo.
E às vezes essas pessoas que se acham deusas, até andam metidas bem dentro das suas religiões, praticando-as sem um pingo de noção, porque se acreditamos em um ou mais deuses (dependendo da crença de cada qual), deveríamos deixar que ele ou eles fizessem a sua vontade, e não a nossa.
À falsidade que não deixa ninguém indiferente, mas há qual falta "tomates" a muita gente para saber encarar de frente.
Eu sempre os tive no sítio, e tenho um grande orgulho de o poder dizer.
O facto de viver no norte de Portugal, fez me ganhar uma grande escola para enfrentar e encarar pessoas à qual a falsidade deveria cobrar imposto, mas não cobra.
Porque se há relatos que os jornalistas não gostam de fazer, o relato da falsidade, foi um dos que menos gostei de descrever.

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Casa de Partida

A casa de partida, que às vezes é a casa de chegada, outras vezes não.
Mas é a casa de partida que me faz teletransportar no tempo, ao tempo em que eu ainda não tinha dado sequer um passo, neste caminho da vida.
Hoje o sentimento tipicamente português (a saudade), faz me relembrar os bons momentos aqui eternizados, nesta casa de partida.
Mesmo que a minha casa de chegada, seja a 600 quilómetros da casa de partida.
Às vezes a vida parece que se movimenta de forma circular, outras vezes de forma linear.
Mas é na casa de partida, que consigo ganhar as forças que necessito, para quando voltar à casa de chegada, voltar com as baterias carregadas.
Esta casa de partida, que alguns rappers desta mesma casa, eternizaram como "85" (referência clara ao código postal).
Mas eu prefiro eternizar esta casa de partida, de uma forma mais romântica.
Desde desta ponte velha (como assim é denominada pela maioria das pessoas que vivem nesta casa, mesmo que muitas delas não saibam que esta ponte foi desenhada pelo francês Gustave Eiffel, o tal que desenhou a famosa torre de Paris, ou a estátua da Liberdade em Nova Iorque, e o mesmo que desenhou a Ponte D. Maria Pia na minha casa de chegada), ao mesmo tempo que o meu olhar se curva, perante o meu belo Rio Arade, e por esta casa tão linda e tão pura, com a extraordinária paisagem que Deus nos deu.
Na minha mente surge o fado de Lázaro Alves (meu avô), e imagino como seria essa "Lota de Portimão", nesses loucos anos 80.
A verdade é que a lota desta casa, mudou para a margem oposta de onde era anteriormente.
E é perante este olhar carregado de simbologia, de orgulho, e de esperança, que observo a minha casa de partida.
Mas no fundo, aquela que sempre considerarei como a minha verdadeira casa.
Porque foi esta casa que me deu as armas necessárias, para correr o país e o mundo, à procura de um sonho, que nos dias de hoje, é tão duro e tão ingrato.
E mesmo que esta casa de partida, não seja sempre a minha casa de chegada, hoje é.
Posso não ter nascido num berço dourado, mas esta casa é sem dúvida, a casa mais bonita do mundo.
E se não for, é pelo menos a casa mais bonita do meu mundo.
Disso não tenho dúvidas.
Porque se esta casa é atualmente a minha casa de partida, eu sei, que um dia, esta também será a minha casa de chegada.

Vacina

Hoje trago um tema para os meus textos, que anda na boca do mundo.
Existem vários tipos de vacinas.
Existem as vacinas que se dão aos moços pequenos, a vacina de uma epidemia, que têm vendido como pandemia na Comunicação Social, para espalhar o medo pela população mundial (sabendo-se de antemão que o medo controla), e existe a vacina dos sofrimentos.
É desta última que vou falar.
A vacina dos sofrimentos que não é injetável com uma agulha, mas magoa muito mais que qualquer dose de cavalo que uma vacina deposita num organismo humano.
A vacina dos sofrimentos, que é exatamente como uma vacina normal.
Vejamos:
Uma vacina normal, tem componentes controladas de um determinado vírus, que faz com que ao ser injetado num corpo humano, que o organismo se habitue a esse determinado vírus (não é muito bem o que acontece com essas novas pseudo-vacinas, mas passemos).
E a vacina do sofrimento, acaba por ser igual.
A única diferença, é que a vacina dos sofrimentos, nós não escolhemos apanhar.
Simplesmente a vida obriga-nos a tomar.
E outro facto desta vacina do sofrimento, é que não tem as componentes controladas desse vírus.
É uma vacina que nos faz ter esses efeitos secundários, quando caímos no fundo, muitas vezes em coisas que nós nos arrependemos de fazer.
Mas o organismo começa a recuperar com o tempo, e cada novo sofrimento, acabamos por encarar como mais um.
Já não nos "rebenta" tanto sofrer, depois de vacinados com essa vacina do sofrimento, mesmo testando positivo ao sofrimento, e tendo sintomas a esse mesmo sofrimento.
Mas aí, o organismo já está habituado.
Já temos muitas mais forças para lidar com mais um sofrimento, do que quando lidamos com os primeiros.
Porque a vacina que não me mata, é a vacina que me torna mais forte.

sábado, 14 de agosto de 2021

Nevoeiro

O nevoeiro que se abate sobre a "antiga, mui Nobre e sempre Leal Invicta Cidade do Porto", é comparável a um outro nevoeiro que vai se abatendo sobre mim.
É na descrição deste nevoeiro que me concentro.
Um nevoeiro que nos impossibilta de ver a diante.
Quer vá no carro, no metro, no autocarro, no comboio, a pé, ou no pensamento.
Um nevoeiro que é de certa forma ingrato.
Sobretudo para quem sonha.
Mas nem sempre quando um homem sonha, a obra nasce.
Às vezes há obras que não têm de nascer.
Outras têm, mas não podem crescer.
Outras crescem, mas depois são demolidas.
Só o nevoeiro não é demolido.
Às vezes questiono-me o porquê das nuvens pairarem tantas vezes tão baixo.
O nevoeiro que é como sentir um autêntico murro no estômago.
Deixa-nos de certa forma enjoados, e a cambalear de um lado para o outro, não vamos nós atropelar alguém, com tanto nevoeiro que faz.
Mas depois apercebo-me que quem atropela quem, é o nevoeiro a mim.
Na incerteza de tudo o que vamos vivendo.
Nos riscos que não corremos, por já termos sido demasiado riscados.
Noutras vezes, vamos na fé, e logo se vê.
Se as coisas correrem mal, tenta-se outra vez, como a primeira vez.
Ou quando é duro demais para tentarmos, simplesmente abstém-se de tentar.
Ao nevoeiro que incomoda.
Ao nevoeiro que cria náuseas.
Ao nevoeiro que equivale um sentimento.
Quando nem as luzes de um candeeiro da rua, conseguimos ver durante a noite, por culpa desse nevoeiro.
A noite, a escuridão, a solidão, o nevoeiro...
Uma boa receita para quem sente e ressente os dissabores diários de uma vida de sorte ao azar.
Porque se o nevoeiro passasse de uma vez, e as nuvens partissem, veria finalmente o sol a brilhar na minha vida.

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Coração

Um palpitar no coração.
O sangue a correr nas veias.
Uma emoção num sentimento.
Borboletas no estômago, a juntar a um friozinho na barriga.
Valorizar o que é importante, e desvalorizar o que não interessa na mesma proporção.
Acreditar no caminho, acreditar na vida, acreditar em Deus sempre, e no poder da oração.
Acreditar que nada acontece por acaso (como diz a minha mãe muitas vezes).
E seguir sempre com cabeça erguida, por mais forte e dura que possa ser uma derrota numa batalha, ou mesmo numa guerra.
Por algum motivo perdemos uma determinada batalha ou guerra.
Hoje estava a ver uma prova de Hipismo nos Jogos Olímpicos, e vi uma atleta portuguesa a fazer uma prova quase perfeita.
Mas o cavalo dela deitou abaixo algo que não devia, e ela acabou por ser penalizada e desqualificada.
E se não tivesse deitado, possivelmente teria ganho uma medalha de ouro.
A vida às vezes dá nos estas derrotas inesperadas.
Porque tudo faz parte de um crescimento espiritual, emocional e social.
Para que possamos mudar, crescer e amadurecer.
Já percebi que a vida faz sentido, sem o fazer.
Mas se a vida fizesse sentido às claras, isto também não tinha piada nenhuma.
São os factos inesperados que fazem um coração saltar mais forte.
Seja de alegria ou de tristeza.
De emoção ou de sensação.
De momentos passageiros aos eternos.
Aos pressentimentos que batem certo, passando pelos pressentimentos que nos desiludem.
Ao que achamos que é, e não é, e ao que achamos que não é, e na realidade é.
Ao que achamos que merecemos, e ao que achamos que não merecemos.
Ao melhor que está guardado para nós, mas também ao pior, que é o que nos faz crescer.
E no fundo, para que o meu conterrâneo (algarvio) Diogo Piçarra continue a cantar:
"É ter o coração no lado certo".

domingo, 1 de agosto de 2021

Solidão

Eu, eu e eu.
Somente eu, comigo mesmo, a dar os meus passos em frente neste caminho da vida.
A maioria das amizades que pareciam verdadeiras, eram na realidade amizades ocasionais e momentâneas.
E neste deserto da vida, olho para todo o lado, e apenas vejo areia, à medida que vou sentindo as altas temperaturas do calor que a vida nos vai proporcionando.
Mas é um calor incomodativo.
Não é um calor como cheguei a sentir outrora.
Esse calor sabia muito melhor, que o calor que sinto atualmente.
Talvez seja o calor da solidão.
Às vezes as pessoas questionam-se o porquê das pessoas que mais gostamos serem de longe.
No meu caso, quem está longe de onde é, sou eu.
As saudades de casa, as saudades da família, as saudades dos poucos verdadeiros amigos, intensificam-se cada vez mais, enquanto a solidão se intensifica de forma igual.
Uma solidão que nos causa tristeza.
Uma solidão que nos faz questionar de certa forma, quem somos.
E o chefe Ljubomir que uma vez disse numa entrevista, que quando estamos nos altos voos da vida, que todos querem estar connosco, todos querem abrir uma garrafa de champanhe e comemorar connosco.
Mas o mesmo chefe, disse na mesma entrevista, que quando estamos dentro de um lago, a boiar no meio de m****, que dificilmente alguém nos vai dar a mão, para nos tirar de lá.
E é aí que percebemos quem são os verdadeiros amigos, e quem são as amizades ocasionais ou momentâneas.
Esta solidão que me fez fazer escolhas, que me fez afastar de tanta e tanta gente, e perceber que realmente não são muitos com quem eu possa verdadeiramente contar.
Que me fez deixar de insistir em quem não deve ser insistido.
Mas uma solidão que me fez ganhar muito amor próprio.
É o único facto positivo que consigo retirar desta solidão.
E o facto de estar longe de todos aqueles que eu amo, ainda ajuda a intensificar todo este sentimento, que não desejo sequer ao meu maior inimigo.
Talvez um dia volte.
Talvez um dia regresse.
Que finalmente me renda ao pseudo-sonho, e que volte para onde sou verdadeiramente amado.
Porque se existisse uma definição clara para a solidão, o meu sentimento é a descrição perfeita de alguém que será sempre imperfeito.