quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Gritos de revolta

Já deixou de ser um apanágio...
Parece que qualquer texto que escreva, que os temas desses mesmos textos vão sempre bater no mesmo.
Com reflexões diferentes a cada fase distinta da minha vida, mas na realidade, é mais do mesmo.
Os textos são mais do mesmo.
A vida é mais do mesmo.
E enquanto rezamos por tudo mudar, nada muda.
Ou muda com o tempo.
Mas para quem é ansioso e impaciente como eu, esperar não é um dom que esteja ao meu alcance.
Num grito de revolta a tudo!
Na habitual e constante tristeza e solidão, bem longe das pessoas que eu amo.
Num grito de revolta contra as saudades.
Num grito de revolta contra a ansiedade.
Num grito de revolta que cada vez mais se torna ensurdecedor.
Num grito que no meio do nada, e no meio do silêncio, que se faz ouvir.
Mas não oiço esse grito com os ouvidos.
E não é por nada que a minha banda musical favorita (Xutos & Pontapés), têm um tema com o nome de "Gritos Mudos", que chamam à atenção sem chamar, e numa "vida que se joga sem nenhuma razão".
Oiço esse grito a ressoar na cabeça de quem não tem cabeça para continuar a alimentar o pouco ou o nada que a vida nos vai trazendo.
Oiço através da alma.
Através do coração, que tem mil e um pedaços para juntar, mas no qual a vontade de juntar esses pedaços, é inexistente.
Não é que o meu coração seja um puzzle, mas se for, a única pessoa que conheço que gosta de puzzles, e que os faz tão bem e tão rápido, é a minha irmã.
E é ela, que quando faço os ingratos 600 quilómetros que me separam dela, que me consegue fazer momentaneamente este puzzle que se tornou o meu coração.
Mas voltando a fazer estes ingratos 600 quilómetros até à casa de chegada, tudo volta ao mesmo.
Para quem semeia muito, colher pouco ou nada é destabilizador.
Leva-nos a fazer várias questões sobre o que fazemos, se o que fazemos é certo ou errado.
E mesmo que as intenções de alguém sejam as melhores possíveis, é impossível alguém que tenha as melhores intenções para com outro alguém, ser bem sucedido, quando esse alguém está rodeado de m****.
É incrível que a única coisa que dá certo nesta vida, são estes mesmos gritos de revolta.
Os gritos de raiva, que me faz rangir os dentes, que me coloca o peito preso, por achar que tudo é insuficiente.
E que o insuficiente, não é nada mais, nada menos, que este estado de insuficiência.
Não é uma insuficiência cardíaca, mas sim uma insuficiência de personalidade, e de mentalidade.
Uma mentalidade que me traz maturidade, sem a trazer.
E se a maturidade devia-nos fazer com que não nos sujeitassemos a tudo, a realidade é que sinto a insuficiência dessa maturidade, quando prefiro perder-me a mim mesmo, do que perder os meus valores.
Os valores são alteráveis, mas a minha personalidade não.
E aquilo que eu faço, é o contrário daquilo que se deve fazer.
Há quem diga que sou bom conselheiro.
Mas para essas pessoas que seguem os meus conselhos, ou que são minhas amigas, prefiro dizer-vos aquela frase, que já é um clássico da vida: "faz o que eu te digo, não faças o que eu faço".
E é por não me ouvir a mim mesmo, que os gritos de revolta vão permanecer, até que tudo mude sem mudar.

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