Já deixou de ser um apanágio...
Parece que qualquer texto que escreva, que os temas desses mesmos textos vão sempre bater no mesmo.
Com reflexões diferentes a cada fase distinta da minha vida, mas na realidade, é mais do mesmo.
Os textos são mais do mesmo.
A vida é mais do mesmo.
E enquanto rezamos por tudo mudar, nada muda.
Ou muda com o tempo.
Mas para quem é ansioso e impaciente como eu, esperar não é um dom que esteja ao meu alcance.
Num grito de revolta a tudo!
Na habitual e constante tristeza e solidão, bem longe das pessoas que eu amo.
Num grito de revolta contra as saudades.
Num grito de revolta contra a ansiedade.
Num grito de revolta que cada vez mais se torna ensurdecedor.
Num grito que no meio do nada, e no meio do silêncio, que se faz ouvir.
Mas não oiço esse grito com os ouvidos.
E não é por nada que a minha banda musical favorita (Xutos & Pontapés), têm um tema com o nome de "Gritos Mudos", que chamam à atenção sem chamar, e numa "vida que se joga sem nenhuma razão".
Oiço esse grito a ressoar na cabeça de quem não tem cabeça para continuar a alimentar o pouco ou o nada que a vida nos vai trazendo.
Oiço através da alma.
Através do coração, que tem mil e um pedaços para juntar, mas no qual a vontade de juntar esses pedaços, é inexistente.
Não é que o meu coração seja um puzzle, mas se for, a única pessoa que conheço que gosta de puzzles, e que os faz tão bem e tão rápido, é a minha irmã.
E é ela, que quando faço os ingratos 600 quilómetros que me separam dela, que me consegue fazer momentaneamente este puzzle que se tornou o meu coração.
Mas voltando a fazer estes ingratos 600 quilómetros até à casa de chegada, tudo volta ao mesmo.
Para quem semeia muito, colher pouco ou nada é destabilizador.
Leva-nos a fazer várias questões sobre o que fazemos, se o que fazemos é certo ou errado.
E mesmo que as intenções de alguém sejam as melhores possíveis, é impossível alguém que tenha as melhores intenções para com outro alguém, ser bem sucedido, quando esse alguém está rodeado de m****.
É incrível que a única coisa que dá certo nesta vida, são estes mesmos gritos de revolta.
Os gritos de raiva, que me faz rangir os dentes, que me coloca o peito preso, por achar que tudo é insuficiente.
E que o insuficiente, não é nada mais, nada menos, que este estado de insuficiência.
Não é uma insuficiência cardíaca, mas sim uma insuficiência de personalidade, e de mentalidade.
Uma mentalidade que me traz maturidade, sem a trazer.
E se a maturidade devia-nos fazer com que não nos sujeitassemos a tudo, a realidade é que sinto a insuficiência dessa maturidade, quando prefiro perder-me a mim mesmo, do que perder os meus valores.
Os valores são alteráveis, mas a minha personalidade não.
E aquilo que eu faço, é o contrário daquilo que se deve fazer.
Há quem diga que sou bom conselheiro.
Mas para essas pessoas que seguem os meus conselhos, ou que são minhas amigas, prefiro dizer-vos aquela frase, que já é um clássico da vida: "faz o que eu te digo, não faças o que eu faço".
E é por não me ouvir a mim mesmo, que os gritos de revolta vão permanecer, até que tudo mude sem mudar.
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