sábado, 27 de novembro de 2021

Ninguém é de ninguém

Meu caríssimo João Pedro Pais, ou como agora se pode dizer, minha cara Marília Mendonça portuguesa do sexo masculino.
Ninguém é de ninguém, mesmo quando se ama alguém.
Porque se alguém for de alguém, não é amor, mas sim posse.
E posse leva a uma possessão, que não é saudável em termos sentimentais, canalizando todo o amor, para a tristeza.
Às vezes durante os dias, bate-me a melancolia, a dor da solidão, mesmo gostando de estar só, mas detestando sentir-me só.
Os phones que coloco nos ouvidos, tocam o que as ondas hertzianas me dão.
Até porque 90% das vezes que estou a ouvir música, faço-o através da rádio.
Quando me sinto neste estado de tristeza, muitas vezes as ondas hertzianas não ajudam, e tentam mudar à força, o meu estado de espírito, para umas vibes melhores.
Outras vezes, as ondas hertzianas dão uma boa ajuda, para cair nessa depressão, que não é saudável, mas que como em tudo na vida, é passageira.
Ultimamente os temas dos meus textos, têm andado um pouco à volta do mesmo.
Amor próprio, saudade, solidão, e fecho 90% dos meus textos, depositando toda a confiança no perfeito divino (Deus).
Mas às vezes, há situações que partem de nós.
Seja para o bem, ou para o mal.
As vibes e as energias que nos afundam na merda, são também uma forma de ver, que nem tudo está certo.
Que por muito que possamos pedir por estabilidade, e por muita força de vontade que possamos ter para adquiri-la, infelizmente, ainda não se vende estabilidade nos supermercados.
Ainda hoje a minha mãe perguntou-me o que queria para os anos.
E eu respondi: paz.
Como se houvesse paz à venda nos supermercados.
Mas afinal o que é a paz que eu procuro?
É a paz aliada à felicidade extrema, ao sentimento de realização pessoal e profissional a todos os níveis, como já senti outrora.
É a estabilidade definida de uma vida, e da concretização final de todos os nossos objetivos e sonhos.
Mas às vezes, parece que esses objetivos e sonhos são muito maiores que eu, e que por muito que salte, por muito que me coloque num trampolim aos pulos, não os consigo alcançar.
E não é por falta de vontade ou de qualidade pessoal e/ou profissional.
A realidade dos meus dias, não tem estado comigo nesse sentido.
Mas depois olho para tudo de uma maneira diferente.
A Universidade que me veio trazer alegria, e uns ramozinhos de esperança, de que ainda nem tudo terminou aos quase 23 anos de idade.
Confesso que já me esperava estável nesta altura do campeonato, mas infelizmente, não tenho conseguido chegar a isso.
Para já, a estabilidade centra-se na estabilidade psicológica e emocional.
Depois, vem o restante.
O importante é não queimar etapas.
Por muito duras que possam ser.
São provações, pelas quais temos que passar, para tornar-nos de ferro, mesmo que o corpo humano seja constituído por ossos, órgãos e carne.
Ninguém é de ninguém.
Nem eu sou de alguém.
Nem alguém é de mim.
Apenas de nós mesmos.
Porque quando fechamos os olhos, e deitamos a cabeça na almofada, sentimos que nós somos apenas de nós, e de mais ninguém.

terça-feira, 16 de novembro de 2021

Amor de Perdição

Amor, amor, amor...
Bem, amor, o único que conheço diariamente, é o amor próprio.
É nesse amor que mais me tenho focado, dia após dia, noite após noite, ao longo destes últimos meses.
O amor próprio é um amor egoísta, mas quem não o tem, não está deveras preparado para viver os dias de hoje, onde tudo é descartável e substituível.
É como viver numa grande metrópole.
Vemos inúmeras pessoas a andarem sozinhas pelas ruas, de um lado para o outro, muitas vezes sem destino.
O título do texto, vai de encontro a essa bela obra portuguesa, que se dá no término do ensino secundário.
Escrita por Camilo Castelo Branco, que faleceu em Vila Nova de Famalicão (terra que bem conheço), e por isso, o clube de futebol local, utilizou o título desta obra, como o seu principal slogan.
Amor de perdição, que era também o slogan de duas pessoas que se amaram, e que um dia perderam-se.
Uma história um pouco diferente da obra verdadeira, mas que não envolveu mortes, porque não calhou.
Nas entrelinhas da saudade, recorda-se o melhor de mim, o melhor que tive, e esse amor de perdição, que me deixou tão perdido, como nenhum outrora.
Por muito que a realidade hoje, seja diferente dos tempos da "perdição", atualmente suspiro e expiro, não me expirando, por um novo amor de perdição.
Que me leve à perdição, mas que acabe, como na verdadeira obra, quando a morte levar um de nós.
Amar é dos exercícios mais lindos que podemos viver.
Respiramos amor, vivemos amor, olhamos amor, ouvimos amor, cheiramos amor, tocamos amor, pensamos amor, sentimos amor.
Todos os nossos sentidos envolvem-se em intermináveis corações, se vivêssemos numa vida de emojis.
O verdadeiro amor, ultrapassa tudo, coloca-nos num estado pleno, de ternura, de sentimento profundo e de prazer.
Não é fácil escrever sobre amor, jamais o será.
Sobretudo por quem não o sente há demasiado tempo.
Mas a fé de encontrar esse verdadeiro amor de perdição, que vai vir para ficar, perde-se apenas quando olho para o estado atual da minha geração.
Mas sei que com a fé que tenho em Deus, sei que Deus vai me arranjar alguém extremamente incrível, e que se encaixe na perfeição em mim, visto que só Deus é perfeito.
Depois de saradas 90% das feridas, apenas há que seguir sem medo, vivendo um dia de cada vez, porque Deus dá-nos sempre o que precisamos, e na maioria das vezes não dá o que queremos.
Há que saber aceitar a vontade divina.
Mas que a vontade divina, me livre, de voltar a passar pela perdição, de um amor passageiro.

sábado, 6 de novembro de 2021

Desabafos de um congelador

À medida que a data vai avançando, e me aproximo de uma data marcante, e despreocupada, a saudade vai palpitando no coração.
Disseram-me que a saudade é uma forma de amar.
E se realmente é, eu continuo a amar quem eu não quero.
E por falar em saudade e de datas, faltam poucas horas para voltar a reviver tudo.
Reviver esse "relato da saudade".
Reviver a terceira parte de uma saga, que só peço a Deus que tenha fim.
Que seja a terceira e a última parte deste filme, deste pesadelo que muito me mudou.
Desde há ano e meio para cá, nunca mais fui o mesmo.
E creio que nunca mais vou ser.
Os mais próximos, os que me conheceram de verdade, percebem isso perfeitamente.
Pelo excesso de maturidade nas conversas, de quem antes era um pouco imaturo, despreocupado e verdadeiro amante da vida.
Pelo olhar que muitas vezes se baixa, quando há temas que nos são tão sensíveis, e que fazem o coração palpitar de uma forma diferente.
Pelo sorriso que sai de uma boca, mas que é um sorriso diferente, de alguém que tomou o sofrimento, e que apenas sorri, sem ter conta que os outros se apercebem que este sorriso, não é o mesmo, antes de toda esta saga, quando tudo era loucura, nem tudo felicidade, mas tudo liberdade.
Por muito que eu esteja livre há praticamente ano e meio, a realidade é que ainda me vou aprisionando.
A realidade é que por mais chutos que dê no esférico, a esferográfica da vida não altera o meu vaticinio para os sentimentos mais intensos e felizes que alguma vez vivi.
Mesmo que tudo mude de hoje para amanhã, de amanhã para depois de amanhã.
A rotina não existe, quando estamos constantemente a abrir e a fechar a porta de um congelador.
O congelador que não sabe bem o que faz, porque não consegue congelar, mas também não consegue descongelar.
E isto, é o que vou sentindo.
Congelo e descongelo frequentemente os meus sentimentos.
Se pudesse escolher, preferia não sentir, e congelar tudo, ao ponto de quando me espetassem uma faca no corpo, sair gelo em vez de sangue.
Aí sim, teria certeza que não sentiria.
Mas se o gelo queima, com tanto gelo, o frio torna-se quente, e tudo volta novamente a descongelar em quem sente.
A lágrima que se encontrava congelada, volta a escorrer.
A ansiedade de quem tem medo do futuro, regressa, colocando-nos ofegantes de tristeza.
As cicatrizes de um corpo, e de uma alma carregada de mágoa, sem a sentir ao mesmo tempo, voltam a doer, quando se passa um dedo por cima dessas cicatrizes físicas, e um pensamento ou sentimento de saudade por essas cicatrizes da alma.
O futuro risonho que tanto queremos, e que tanto nos esforçamos para acreditar que o vamos ter, acaba por nos fazer baixar a cabeça, e conformarmo-nos com a verdadeira realidade em que vivemos, quando olhamos para o tempo, e nos apercebemos o tempo que já passou da última vez que sentimos a verdadeira felicidade.
Da última vez que choramos de alegria.
Da última vez que sorrimos e beijamos com os olhos.
Da última vez que nos arrepiámos com um simples toque.
Da última vez que a boca sentiu prazer de um sentimento de amor, ficando ela a pedir por mais incessantemente.
Da última vez que o coração se encheu tanto, e que palpitava com toda a intensidade, devido à felicidade que ele sentia.
Tentar acreditar em algo que já vivemos, que nos esforçámos tanto para conquistar, e que de seguida perdemos, faz nos questionar constantemente sobre a verdadeira política da vida, se é que existe alguma política da vida.
Mas ao mesmo tempo, este foi o caminho que a vida escolheu para mim.
Sem ter muito voto na matéria, ou poder de decisão.
Gostava de poder ter algum poder de decisão, porque se tivesse...
Não deixaria com toda a certeza tudo no caos em que se encontra há tanto e tanto tempo.
Os sonhos continuam a ser mais pequenos a cada dia que passa.
Sobretudo quando não vivemos num conto de fadas.
A mim continua a restar-me pegar num terço diariamente, como o faço, acreditando que apenas o divino pode alterar o rumo de tudo aquilo que tenho vivido.
Porque se a esperança é nula, ao menos que a fé me continue a manter firme, por estas provações de alguém que já se "chateia" de ser rato de laboratório.

Dia de Todos os Santos

Hoje é dia de recordar todos aqueles que nos inspiravam, de quem gostávamos ou amavamos, e de quem queríamos que estivesse cá fisicamente, mas que infelizmente já não está.
Os Santos deste dia no céu, foram um dia os Santos desta terra.
Este dia, é apenas um dia simbólico, um dia de homenagear pessoas que tanto nos marcaram, ou que tanto fizeram por nós.
O dia de comprar as melhores flores para os nossos queridos Santos que tivemos oportunidade de conviver neste planeta, juntarmos a família, e atravessar o portão, as paredes sempre enormes de um cemitério, chegarmos junto de onde jaz os nossos queridos santos, benzermo-nos e rezarmos o pai nosso, e a avé Maria em honra das pessoas.
Não falei em mortos, porque acredito que as pessoas não morrem enquanto são lembradas.
Apenas desaparecem fisicamente.
E hoje é o dia de lembrarmos essas mesmas pessoas.
É dia de lembrarmos esses Santos, e pedirmos a eles para intercederem por nós, lá em cima.
Mas ao mesmo tempo, tudo não passa dessa homenagem que frisei, porque no cemitério, apenas está o orgânico, apenas está a matéria.
Muitas vezes ajoelhamo-nos, choramos ao pé de onde jaz uma pessoa (e é totalmente normal isso acontecer), mas todos sabemos na realidade, que naquele local, apenas está uma homenagem, porque a pessoa já não está ali.
Pode estar lá em cima, como no segundo depois está na nossa cabeça, na arte de recordarmos os melhores momentos que passamos com essa pessoa, como pode estar de seguida no nosso coração, na arte de gostarmos ou amarmos para sempre essa pessoa, mesmo que já não esteja fisicamente entre nós.
Porque se este dia de todos os Santos tem tanto de simbólico, então que a simbologia deste dia permaneça durante todos os dias da nossa vida.

Num abrir e fechar de olhos

De um pensamento, que a pouco e pouco passa a sentimento.
Sempre que abrimos os olhos a um sonho, fechamos os olhos à realidade.
O sonho leva-nos pelas asas do pensamento, daquele que seria o mundo ideal.
O nosso mundo de sonho, os nossos planos, as nossas ideias, o nosso querer...
Tudo nesse mundo é tão lindo, que o arco-iris colore o céu, as árvores assobiam, os pássaros cantam, o mar sorri.
Imaginar o mundo dos sonhos, dá-nos vida.
Mas passado esse tempo de imaginação furtiva, acabamos por fechar os olhos aos sonhos, e abrimos os olhos à realidade.
A realidade, não é tão inspiradora, como essa imaginação dos sonhos.
Neste mundo da realidade, nem tudo é lindo, o azul nem sempre colore o céu, e ultimamente onde vivo, o céu é mais composto pelo cinzento que pelo azul, as árvores respiram, mas muitas vão para o matadouro, os pássaros mal conseguem viver devido à poluição, o mar cada vez se torna mais agressivo, e sem vida.
Curiosamente tudo o que descrevi, pode ser lido em 2 contextos.
No contexto real, ou no contexto metafórico.
Neste contexto metafórico, abrir os olhos aos sonhos, é continuar a acreditar.
A acreditar que um dia vou voltar a viver o que sonhei e vivi noutrora.
Que a vida não se esqueceu de mim, e que posso continuar a acreditar que pode ter passado uma fase excelente, mas que mesmo assim, ainda vem algo melhor que aquilo que já vivi.
Mas depois abrindo os olhos à realidade, praticamente perdemos a esperança.
As dores das provações, a dureza da vida que carrego, a distância a que estou daqueles que mais gosto...
Tudo se torna tão negro num abrir e fechar de olhos.
Mas que um dia, num abrir e fechar de olhos, esteja a viver durante o resto dos meus dias, tudo aquilo que sonho e sonhei.

13 de Outubro

No dia 13 de Outubro, a Igreja Católica celebra a última aparição de Nossa Senhora em Fátima, aos 3 pastorinhos, Francisco, Jacinta e Lúcia.
Em 1917, nesta mesma data, foram milhares as pessoas que relataram a visão do milagre do sol (entre 30 a 40 mil pessoas, entre eles, alguns jornalistas da época).
Nossa Senhora, pediu neste dia aos 3 pastorinhos, que rezassem o terço todos os dias, e que fizessem uma capela naquele local.
Frisou ainda que a guerra (1ª guerra mundial) iria terminar, e que os militares voltariam em breve às suas casas.
Lúcia pediu que Nossa Senhora curasse alguns doentes.
Respondeu a Senhora do Rosário de Fátima, que curaria uns, outros não, frisando que era necessário a conversão e pedido de perdão dos pecados, para que fossem alcançadas essas curas e graças.
A Senhora de Fátima fez um último pedido: "Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor que já está muito ofendido."
Pela mensagem deste dia, há 104 anos, podemos constatar tantas coisas que ainda hoje acontecem. As guerras, podendo falar mais recentemente do caso afegão, ou das guerras que cada pessoa tem no seu dia a dia, a ausência de crença e de oração por parte dos demais fiéis, o facto de se usar tanto o nome de Deus em vão...
Em 1930, nesta mesma data, a Igreja Católica reconheceu oficialmente este milagre do sol, e com isso, reconheceu Fátima, como um local de fé bendito.
Fátima pertence a um lote muito restrito de aparições reconhecidas pelo Vaticano (falamos em cerca de apenas 20 aparições reconhecidas pela Santa Sé).
Em 2021, serão milhares os fiéis que voltarão, outros que irão pela primeira vez, à Cova de Iria.
Na data do adeus, ou da última aparição de Nossa Senhora aos 3 pastorinhos, serão inúmeros os fiéis que se arrepiarão, e se emocionarão ao cantar o "Adeus de Fátima", na Procissão do Adeus.
Um Adeus, que não é um adeus, pois quem tem fé e crença, acredita que a Senhora de Fátima não nos abandona.
Neste dia 13 de Outubro, saibamos ser fiéis aos pedidos feitos por Nossa Senhora em Fátima.
Saibamos entregar as nossas vidas, as nossas provações, os nossos medos, os nossos sonhos, nas mãos da Senhora de Fátima.
Para que como há 104 anos em Fátima, ela possa fazer o milagre do sol nas nossas vidas, no meio da escuridão que o planeta se tornou.
Nossa Senhora de Fátima.
Roga por nós! 

13 de Outubro

Da nação

Falo da nação...
De uma nação valente e imortal.
De uma nação que os seus governantes tentam tornar a cada dia que passa, mais frágil e mortal.
De uma nação que cada vez menos, tem qualidade de vida.
De uma nação em que boa parte da população é obrigada a abandonar o seu país, para conseguir alguma qualidade de vida, a pensar no futuro seu, e dos seus.
De uma nação que mesmo querendo formar incultos, fruto do seu método de ensino imposto, que continua a ter os melhores profissionais a nível mundial, nas mais diversas áreas.
E esses profissionais?
São desvalorizados por uma nação cada vez mais podre, fruto dos governantes frisados acima.
Profissionais esses que muitas vezes são obrigados a abandonar a nação que lhes viu crescer, à procura de serem valorizados nas suas áreas de relevo.
De uma nação que tem todas as condições para ser uma das maiores potências mundiais, mesmo não tendo riquezas.
Mas as maiores riquezas que esta nação tem, é sem dúvida as pessoas, o acolhimento e a humildade.
Humildade de um povo, em que esses governantes aproveitam-se e abusam a cada dia que passa.
Por saberem que esse mesmo povo não irá sair à rua para gritar.
Por saberem que ninguém lhes vai obrigar a embalar a trouxa e zarpar, citando o grande Zé.
Uma nação que quando os que estão fora regressam, dão um beijo à Zefa, e um abraço ao João.
Porque por muito grande que lhes possa parecer, são estes portugueses que têm o mundo na palma da mão (citando a banda "Xutos & Pontapés).

sábado, 9 de outubro de 2021

Quem diria

Quem diria...
Quem diria que quase 2 anos após um sonho vivido numa ilha maravilha em pleno Oceano Atlântico, que terminaria no duro País Basco.
Ou então apenas é um desvio no caminho.
A dureza do País Basco reflete-se nos olhos, quando as saudades do que um dia sentimos (mas não das pessoas) intensificam-se.
Esta mesma dureza reflete-se nos braços, a cada carregar de um saco de cimento.
Nas costas sempre que os esforços são demasiado.
E esforçar-me é o que mais faço.
Seja no trabalho, seja nesse tal sonho, que parece que a cada dia que passa, se torna mais longínquo.
Mas depois olho para tudo, e sei que isto não é, nem nunca foi o que eu quis.
Mas é o que eu mais preciso neste momento.
A vida ensinou-me a não correr atrás do que mais queremos, mas sim daquilo que mais necessitamos.
O que mais queremos, a vida custa-nos a dar.
O que mais precisamos, ela dá-nos num piscar de olhos.
O importante, é jamais virar a cara à luta.
Seja a pegar num microfone e colocarmos a melhor arte que temos, ou então a pegar numa colher, e a espetarmos massa, mesmo que tenhamos que aprender a pegar numa colher.
Esta escola de vida que o País Basco me tem dado em apenas uma semana, tem sido uma escola incrível.
Não só pela dureza descrita, como também pela partilha das várias histórias de vida dos colegas com quem resido.
Mas neste caso, esta história acaba por ser mais uma a adicionar ao livro de memórias e de sentimentos que vivemos.
São os trocadilhos desta vida, que nos trocam as voltas, sem nos trocar.
E trocar de vida é arriscar, é colocar uma venda nos olhos, uma arma na mão e disparar para onde estamos virados.
Na incerteza do resultado final, como se não precisassemos de apenas 90 minutos como num jogo de futebol, mas sim mais meia hora de prolongamento.
E as provações que a vida me vai fazendo viver, faz me pressentir que as coisas já estão nessa meia hora de aditamento.
Mas que consiga desempatar a minha vida de uma vez, e que o resultado final de quem luta, e sempre tem sido audaz, seja a vitória, para que no final disto tudo, possa estar a levantar o tão desejado caneco, que é a concretização dos meus sonhos principais.

sábado, 25 de setembro de 2021

Não chega

Às vezes há coisas que não chegam.
Esforços que não chegam.
Sonhos que não chegam.
E o que não chega, umas vezes não chega porque o tempo não nos traz, outras vezes porque por muito esforço que haja para conquistar algo, simplesmente é insuficiente, e não chega.
O sentimento de não chegar, é como estarmos numa prisão, com vontade de nos soltarmos.
Fazemos força para nos desacorrentar daquilo que nos acorrenta, mas não chega.
Tentamos manter a cabeça erguida, mas não chega.
O estado sentimental de "não chega", transporta-nos para um estado de insuficiência, preferindo que a nossa única insuficiência, fosse antes uma insuficiência cardíaca, para mais tarde ou mais cedo batermos a bota.
Mas nem isso chega.
Cruzamos os braços, quando já os esticamos durante demasiado tempo.
A mão que abre a porta, é a mesma mão que se magoa, quando a citada porta nos entala.
A vida não chega.
Nada chega, quando aquilo que mais desejamos não chega.
Ou quando aquilo que um dia desejámos chegou, e partiu.
Não chega viver numa falsa felicidade.
Fingir que está tudo bem, e por outro lado, fora das vistas de todos, ou à vista do mundo, matar mais uma garrafa.
Mas apenas uma garrafa, não chega.
Não chega colocar sentimento em tudo.
O sentimento que coloco na poesia, não chega para avançar com a produção de um livro.
O sentimento que coloco num relato de futebol, não chega para alcançar uma rádio nacional ou quiçá uma estação televisiva.
O sentimento que coloco no amor, não chega, porque o amor não chega, mesmo que um dia já tenha chegado.
E mesmo que um dia chegue, o sentimento que outrora coloquei, não vai chegar, porque o medo vai sempre falar mais alto.
A fobia de não chegar, vai me fazer recordar da única vez em que houve um esforço para chegar, mas mesmo assim não chegou.
Que não chegue ao que mais temo.
Mas ao mesmo tempo, que um dia consiga chegar, àquilo que atualmente não chego.

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Gelo

Após ter sido um mar escaldante de sentimentos, virei um congelador.
Congelei.
Não consigo sentir nada.
Nem a felicidade, nem a tristeza, nem a dor, nem a mágoa...
Simplesmente os sentimentos desapareceram.
Creio que quando passei da vez anterior por algo parecido, afundei devido ao choque térmico entre esse mar escaldante que secou, e o gelo.
Mas atualmente, apenas existe gelo.
Um gelo que queima, sem me queimar.
Que congela não só os sentimentos, como todas as expetativas, todas as ideias, e todos os sonhos.
Mesmo para além do gelo que me tornei, a cabeça continua sempre virada para baixo, a cada passo que dou.
Creio que o gelo me demonstra as constantes derrotas que tenho, e faz me conformar de que sou e serei sempre um derrotado.
Há quem nasça para vencer, e há quem nasça para ser derrotado, para ensinar aos que vencem que nem tudo é fácil.
E a vida decidiu colocar-me no segundo grupo.
No fundo, quem nasce para vencer é protagonista na vida, quem nasce para ser derrotado, é um mero figurante.
Feliz ou infelizmente, já me conformei com a ideia de que ser protagonista na vida, é um papel que não tenho qualidade iminente para representar.
Por isso, prefiro gelar mais uma vez, à procura de motivos para ultrapassar este gelo, descongelar, e tentar ganhar motivos, que neste momento são inexistentes, para tentar seguir um caminho de nada.
Dizem que às vezes sou duro demais comigo mesmo.
Eu não sou tão duro comigo mesmo, como outras pessoas já foram comigo.
Na realidade, eu tenho motivos para ser duro comigo mesmo.
Mas os outros não, e mesmo assim o são.
Não é o ser duro, é o saber ser justo, é o saber ser realista, e é o saber colocar os pontos nos "i's" onde eles devem ser colocados.
E no fundo, é pegar num balde de gelo, e jogar onde tudo é incerto.
Num gelo que já não me gela.
Num gelo que não me queima, e nem sinto.
E num gelo, que aconteça o que acontecer, já não me irá gelar, como me gelou noutrora.

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Estrela do Mar

"Salve, Estrela do Mar,
Mãe do Verbo de Deus,
Virgem pura entre as virgens,
Feliz porta do Céu."
A estrela do mar que permanece no meio das águas frias e quentes (se bem que existem em maior número nas águas quentes).
A estrela do mar que nos pode ensinar tanto.
Que mesmo depois de perdermos algo que nos é tão importante, que há sempre maneira de nos revanescermos.
No caso das estrelas do mar, a perda de um braço, por exemplo, não é uma perda definitiva, pois passado algum tempo, volta a crescer outro braço, no sítio da perda.
As estrelas do mar ensinam-nos que mesmo depois de perdermos algo tão importante para a nossa condição humana, que é sempre possível olharmos em frente, e seguirmos o caminho.
Como se os nossos olhos também não tivessem essa água salgada do mar.
Como que por mais bonita que seja uma estrela do mar, elas acabam por ser também extremamente fortes, ensinando a nós humanos, que todos somos bonitos à nossa maneira, mas ao mesmo tempo, que todos temos uma força incrível dentro de nós.
As estrelas do mar que são dos animais mais independentes que existem.
Nem para dar continuidade à sua espécie, necessitam de outrém.
As estrelas do mar também nos ensinam, que nos dias de hoje, devemos sempre ser os mais independentes possíveis.
Vivemos num mundo cada vez menos amistoso, e cada vez mais orgulhoso, egoísta e invejoso.
Portanto, a melhor decisão nos dias que hoje correm, acaba por ser olharmos para nós mesmos.
Para nós, e para esta estrela do mar, que não nos abandona, passemos nós pelos momentos mais difíceis que nos surgirem.
As estrelas do mar que também nos ensinam que nem sempre um caminho é fácil.
Que mesmo no meio dos tubarões e das orcas desta vida, que devemos sempre caminhar, seja dando um passo de cada vez na luta para alcançarmos o nosso melhor (no caso das estrelas do mar, elas caminham através do sistema ambulacral), seja fugindo dos animais frisados anteriormente (que são os sofrimentos e as tristezas humanas).
À estrela do mar que nos ensina.
À estrela do mar que não tem coração.
E às vezes, também dava jeito a nós humanos não termos coração, porque é o coração que nos faz ter inúmeros sentimentos, muitas vezes menos positivos.
Que a estrela do mar me guie, nestas ondas da vida.
E que a estrela do mar me permita cantar sempre:
"Salve, Salve Estrela do Mar
Salve, Mãe do Verbo de Deus."

Carta aberta a Nossa Senhora

No meio das dores e dos sofrimentos mundanos, a ouvir canções gregorianas de Fátima, surge nos meus olhos, a tua imagem mãezinha do céu.
E aí, as lágrimas soltam-se de dentro dos meus olhos.
Custa-me todo este tempo de provação na minha vida.
Falta-me o ar.
Engulo mais uma vez a seco.
O teu filho está sofrendo muito mãezinha.
E só consigo confiar em ti, e no pai.
Vós sois a minha única esperança, a minha única fé, neste planeta que cada vez mais se equipara a um purgatório.
É no meio desta solidão cada vez mais cruel para mim, que eu me entrego nos vossos braços, mesmo sabendo que vós sois a minha única companhia que tenho.
Não gosto de questionar a Deus.
Não gosto.
Mas questiono minha mãe, quando é que isto tudo vai passar?
Quando é que tudo vai dar certo para mim?
Quando é que vou conseguir realizar os sonhos que tenho, se é que vou conseguir realizar algum desses meus sonhos principais?
Quando eu julgava que tudo ia dar certo uma vez na minha vida, surge mais uma vez, mais uma desilusão tão grande, que me aperta o peito.
Confesso minha mãezinha do céu, que quando me pus nisto, sabia que me sujeitaria a isto.
Mas quando as coisas começaram a avançar, e tudo a correr tão bem, óbvio que idealizei, óbvio que pensei que desta vez tudo iria ser diferente.
Mas não foi...
E muito pelo contrário.
Fui magoado, como creio que nunca fui.
Nunca ninguém que eu gostei tanto, me tratou tanto como merda, de uma vez só.
Como se eu fosse um objeto.
Como se eu fosse um brinquedo.
E aí pergunto minha mãezinha do céu, o que eu sou afinal?
Porque já nem eu sei o que sou.
Será que sou um brinquedo?
Um objeto?
Antes fosse, porque aí seria inanimado, não teria sentimentos, não sofreria, e nem passaria por estes momentos de provação tão grandes, que parece que me deram a cruz de Cristo, para eu carregar até ao meu próprio calvário.
E olhando para esses Mistérios Dolorosos que o teu filho Jesus passou antes da crucificação, esta agonia que me invade a alma, é bastante parecida à agonia que Jesus teve, após a última ceia.
Sobretudo porque é a orar que me sinto única e exclusivamente bem, nesta agonia, mesmo sem me sentir.
Não soo sangue como o teu filho Jesus, mas as lágrimas que me vão escorrendo no rosto, são lágrimas de dor.
"Pai, se é do teu agrado, afasta de mim este cálice; contudo não se faça a minha vontade, mas sim a tua."
Estas palavras foram do teu filho Jesus, mas neste momento enorme de provação que passo, entrego as palavras do teu filho, nas intenções que guardo dentro do meu coração.
A flagelação do teu filho Jesus, é comparável às inúmeras flagelações que a vida me vai trazendo.
Como se uma única flagelação já não fosse por si suficiente.
Mas não é.
E então, é aí que tudo se desmonta, se desmembrana, e perde o seu valor.
A coroação de espinhos do teu filho Jesus, simboliza a dor da vergonha que sinto, ao ver a forma que a vida vai me fazendo avançar.
Na maioria das vezes sem rumo, e caminhando várias vezes solitariamente.
A minha vida parece aquela multidão que gritou, a pedir para que o teu filho Jesus fosse crucificado, minha mãezinha do céu.
Mesmo no meio daquela humildade que sempre lhe caraterizou.
E estes sofrimentos intensos que me abalam, compara-se a Barrabás, que foi solto, tal como estes sofrimentos se soltam neste preciso momento em mim.
As trevas que taparam a Terra durante aquelas 3 horas, simbolizam a escuridão que a minha vida leva.
Como se não preferisse que estas trevas na minha vida, durassem apenas 3 horas...
A caminhada até ao meu calvário ainda é longa.
Sei que vou sofrer muito outra vez.
Sei que vou cair, como o teu filho Jesus caiu a carregar aquela cruz tão pesada.
Porque a vida que eu tenho, tende sempre a querer-me crucificar em tudo.
E o que eu te peço minha mãezinha do céu?
Que há semelhança do que fizeste com o teu filho Jesus, que não me abandones neste caminho até ao Calvário.
Eu sei que te vai custar veres me a caminhar até lá mãe.
Mas também sei que tu sabes, que isto vai ser o melhor para mim.
O teu filho Jesus salvou o mundo, ressuscitando.
E eu vou salvar-me a mim mesmo.
Vou salvar-me destas dores.
Mas primeiro, eu sei que tal como o teu filho Jesus, que vou ser crucificado.
No fundo, eu sei que nos próximos meses da minha vida, vou caminhar a caminho do Calvário, ao lado do teu filho Jesus, com a minha cruz às costas.
E aquilo que eu te peço minha mãezinha do céu, é quando eu estiver lá na minha cruz crucificado, que não arredes pé, e que te unas a esta dor, como te uniste à dor do teu filho Jesus, quando ele foi crucificado.
Não é que esta seja uma carta perfeita para a minha mãezinha do céu.
Nunca será.
Mas aquilo que te peço mais que nunca neste momento, é que jamais me abandones, sobretudo neste momento de provação tão intenso, e tão triste.
Porque para enviar esta carta que escrevi para ti, sei que a morada de Deus, está no terço que tenho ao meu pescoço.

domingo, 19 de setembro de 2021

Luz de Cristo

"Lumen Christi! Amen! Aleluia!"
Na língua morta, que é a língua mais viva que conheço, inicio mais um texto.
Para falar sobre uma luz.
Uma luz, que faz com que a iris dos meus olhos, não consiga detetar todas as cores dessa luz.
Na luz de Cristo, que eu vou pedindo a ele, que me guie e ilumine a minha vida.
Neste momento sei que a luz de Cristo ilumina-me, mesmo eu não conseguindo ver essa luz.
Possivelmente verei mais escuridão que iluminação.
Mas a vida é assim mesmo.
Escuridão antecede iluminação.
Iluminação antecede escuridão.
A culpa de haver tanta escuridão e tanto sofrimento neste planeta, é do pecado, e do "tanto faz".
Da perda de valores da família que a nova geração tem, em troca com os novos costumes "esquerdinos" que têm na agenda a destruição da família e desta luz de Cristo.
Mas a luz de Cristo jamais irá faltar, independentemente daquilo que os principais governantes mundiais, queiram fazer no nosso mundo.
A única luz que às vezes falta, é a luz existente no nosso planeta.
Basta haver um corte geral, ou então não pagar a luz ao final do mês.
Mas a luz de Cristo, sei que está bem viva, e não é necessária pagar ao final do mês, como a luz da EDP.
Para pagarmos a luz de Cristo, basta fazermos o que ele nos mandou.
Pegar num terço, rezar sem cessar.
Ir ao domingo a uma das melhores graças que Cristo nos deu (a Eucaristia).
E fazer entre muitas outras coisas, que Cristo nos mandou e nos manda.
Sempre com o foco nele.
Sem perdermos a fé.
Sem perdermos a luz.
Acredito que nós não necessitamos de ver a luz de Cristo.
Basta sentirmos essa mesma luz.
Mesmo que nada faça sentido nas nossas vidas.
Conformar-nos com a vontade de Cristo, é extremamente difícil, mas ao mesmo tempo, acaba por se tornar um dom.
E nos momentos de provação, apenas devemos confiar.
Porque quando estamos na provação, estamos perdidos.
E perdido por um ou por mil, não é igual?
Então confiar em Cristo no meio da provação, não é tão difícil quanto isso.
A questão é que somos seres humanos.
Queremos sinais à força toda, queremos ver.
E Cristo ensinou-nos que felizes são aqueles que acreditam sem ver.
Os sinais e as graças aparecem!
É preciso não perder a fé, nem a luz de Cristo.
O problema, é que a sociedade atual, habituou-se a viver de resultados imediatos.
Não nos conformamos em esperar por nada.
Queremos tudo para ontem.
E às vezes é necessário tempo, para a luz de Cristo atuar nas nossas vidas.
Mas para isso, também temos de deixar que Cristo atue nas nossas vidas, porque muitas vezes, estamos tão focados em graças materiais ou mundanas, que nem deixamos que Cristo atue nas nossas vidas.
Que a luz de Cristo me guie e continue a guiar a minha vida.
Porque "eis a tua igreja".
E como se canta em Fátima:
"A luz de Cristo
Ilumina a terra inteira
Aleluia".

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Olhar

Olhando para todo o lado, questionando-me onde colocar o olhar.
Em frente nada de animador.
Em frente só no passado, quando 2 olhares sorriam entre si, como se um olhar tivesse boca para sorrir, para beijar, ou para dizer um "amo-te".
As recordações desse olhar penetrante, na mente e na alma de alguém, que atualmente não tem um olhar, é extremamente doloroso e violento emocionalmente.
As saudades apertam, sufocam, mas não nos tiram a vida, mesmo que a nossa vida não tenha qualquer significado aparente.
Olhar para trás, acaba por ser a solução mais real, mas depois acabo com um torcicolo físico e mental.
Porque se fosse para olhar para trás, Deus punha-nos olhos na nuca, e não na face.
Mas na realidade, desperdiçamos tempo demasiado nestes torcicolos da vida, que nos fazem encher este mar dos olhos carregados de sal (as lágrimas).
E então sem querer olhar para um dos lados, ainda por cima em tempo de eleições, levanto o meu olhar para cima, implorando, suplicando, mendigando a Deus por paz.
Por paz, por amor, e pela verdadeira felicidade que um dia senti com o coração a palpitar a velocidades, que se houvesse radares sentimentais, o meu coração seria multado por excesso de velocidade sentimental.
Ajoelho-me, tiro o terço do pescoço, e olho para cima, visto não ter nenhum oratório/altar na casa que resido aqui no norte, e rezo, para que tudo mude.
Mas as forças não são ilimitadas.
E nos momentos de provação, quem está mais fragilizado acaba por ser abatido, como se um soldado ferido estivesse na frente de combate de uma guerra.
Não é justo, e mesmo que uma pessoa esteja fisicamente bem, é como se estivesse desarmada.
E é aí que concentro o meu olhar para baixo.
No chão...
Primeiro porque falta-me a coragem para olhar em frente, sabendo de antemão que não há nada de animador para ver.
E depois, porque não quero que as pessoas observem o olhar de um derrotado, que morre sempre na praia, não houvessem praias suficientes para eu morrer na minha terra.
E é longe do olhar dos que mais gosto, dos que mais amo, que o meu olhar se abate.
Mas que este olhar de lágrimas de hoje, seja o mesmo olhar de lágrimas de amanhã.
Mas que o olhar de lágrimas que hoje se entristece, seja o olhar de lágrimas que amanhã se alegrará.

Cortar

Suficiente para me magoar, insuficiente para cortar.
E quando falo em cortar, não falo apenas em cortar com o pessimismo e o negativismo que me rodeia.
Porque esses sentimentos parece que vieram para permanecer durante muito tempo...
Mas corto-me todos os dias...
Corto-me cada vez que ligo o telemóvel a cada manhã, e percebo que não há nada, nem ninguém.
Corto-me cada vez que saio de casa de noite, ao frio, à humidade, ao nevoeiro, à chuva, na minha solidão, em direção à estação de Metro, para apanhar o transporte para o trabalho.
Corto-me cada vez que tenho que andar 2 quilómetros a pé à noite, pelo meio da linha de Metro, e de seguida pelo meio do mato, para chegar ao meu local de trabalho.
Corto-me cada vez que o meu chefe me chantageia, obrigando-me praticamente a deixar a empresa onde trabalho.
Bebo um café, e corto-me mais uma vez.
Corto o sono que rodeia depois de tanto percorrer até chegar ao destino.
Destino esse que é um destino diário.
Na realidade, o único destino que vou tendo, é o destino da rotina.
Porque o destino da vida, não tenho.
Sem objetivos, sem sonhos, sem nada...
As pastas de futuro, como muitas vezes me falam, não se conseguem preencher, quando a vida nos quer ver em baixo à força toda, e que por muito que nós lutemos, a luta não é suficiente.
Vou vivendo um dia de cada vez.
Uns dias melhores, outros porreiros, outros piores, e outros em que mais vale não sairmos de casa.
E nesses dias em que mais vale não sair de casa, adivinhem, corto-me mais uma vez.
Batendo crânio em situações que me incomodam, mas que olhando racionalmente para esta novela venezuelana (a expressão novela venezuelana tem uma explicação engraçada, que prefiro guardar para mim), é gastar e desgastar forças e energias em situações desnecessárias, independentemente de mexerem muito connosco.
E aí, corto o coração, corto os sentimentos, corto os pulsos sem os cortar, e sangro.
Cada desgosto, é mais um hematoma, mais uma chaga, mais sangue a escorrer.
O sangue que se alia às lágrimas.
Ambos significam dor.
Enquanto o sangue está ligada à dor física, as lágrimas estão ligadas à dor psicológica ou espiritual.
E aí, perco as forças para cortar...
Para cortar com o que me magoa.
Para cortar com as dores.
Para cortar com o sangue e com as lágrimas.
Para cortar com toda a ansiedade e aflição que me impede de respirar, sem impedir.
Para cortar com o que está distante física, psicológica e sentimentalmente de mim.
Essa é uma tarefa que deveria ser para ontem.
Mas preciso de um empurrão da vida.
Para que corte com tudo o que não me beneficia.
Porque cada corte que eu faço, não é suficiente para cortar com o que me prejudica.

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Mistérios Dolorosos

A "minha" Igreja Católica, recita todas as terças e sextas feiras, os Mistérios Dolorosos da oração do Rosário.
E eu recito os meus Mistérios Dolorosos todos os dias...
A cada pestanejar, a cada inspirar, a cada gota de suor, a cada lágrima...
Sempre que os meus olhos fecham, recordo-me do melhor de mim.
Dizem-me que não devemos olhar para trás, e eu sei.
Mas quando olhamos em frente, e não vemos nada de animador, forçosamente acabamos por olhar para trás.
Olhando para aqueles olhares verdadeiros, para aqueles sorrisos puros, para aquela paisagem incrível e indescritível...
Recordando o toque que me arrepiava, provando o sabor que me seduzia, e sentindo aquilo que nunca senti, e que jamais irei sentir por mais alguém.
Neste último ano escrevi 2 relatos da saudade.
Mas se tivesse que escrever mais 3 ou 4, para recordar o melhor de mim, voltaria a escrever, sempre com sentimentos distintos e idênticos ao mesmo tempo.
E é aí que todos estes Mistérios que guardo dentro de mim, acabam por ser tão Dolorosos.
Simplesmente, porque por muito que queiramos fazer algo, sabemos que nada vai ser suficiente.
Por muito que a saudade seja intensa, sei que não está ao meu alcance viajar no tempo.
E então viajo na memória que guardo.
Na memória do melhor de mim, na memória do que fui, e na memória e na realidade do que sou.
O problema serei sempre eu.
O cansaço de tanto lutar sem um único resultado final, faz me baixar os braços.
Faz me entender, por mais mentira que seja, que jamais vou voltar a ser feliz como fui.
De que nada funciona na minha vida.
De que estou destinado a perder todos os sonhos que tinha, e a viver sem qualquer tipo de rumo.
E por incrível que pareça, isso está mais perto de acontecer, do que aquilo que possa parecer.
E por último, porque todos estes meus Mistérios Dolorosos, duram há tempo demais.
Já não falo em dias, nem em semanas, nem em meses...
E tudo vai se repetindo.
Seja a rotina, seja esses Mistérios Dolorosos.
A minha banda favorita, dizia na música "O que foi não volta a ser", que "pode vir algo melhor, embora sempre pareça que o pior está por vir".
Mas quando o melhor não chega, e atrás do pior vem ainda mais pior, e mais pior...
Não há como ter forças para levantar de vez.
Que estes Mistérios Dolorosos que vou vivendo, não me afundem os sonhos que ainda tenho.
E que como nos Mistérios Dolorosos que a Igreja Católica reza, que venha de seguida os Mistérios Gloriosos na minha vida.
Para que a cada Mistério, cada Pai Nosso, cada 10 Avé-Marias, e cada Glória ao Pai que rezo, possa fazer este pedido em latim:
"Sancta Maria, ora pro nobis."

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Heróis do Mar

Aos heróis do mar.
Aos heróis da nação.
Aos heróis do mar, que apenas são reconhecidos quando chegam a terra.
No mar tenebroso.
A enfrentar animais e monstros marinhos.
A vida que nos coloca tantos animais e monstros marinhos no nosso caminho.
Os monstros que representam os nossos medos.
Os animais que representam os nossos receios.
Como se já não existissem no mar, animais e monstros suficientes, para já termos que os enfrentar em terra.
E se somos portugueses, estamos obrigados a nunca baixar os braços, seja em que circunstância for.
Não é que aqueles marinheiros de há uns séculos atrás, tenham tido medo do Adamastor.
Mas são os Adamastores desta vida, que nos ensinam a sermos mais firmes em relação a tudo o que enfrentamos.
E não é por nada que quando enfrentamos problemas na vida, costuma-se dizer na minha terra que "está o mar feito num cão".
Do mar em que não existe meio termo.
Ora está tudo calmo, ora está tudo agitado.
A vida também é assim, e deve ser vivida como tal.
Sem meios termos.
Mesmo que os Adamastores desta vida nos queiram "engolir" vivos.
Mesmo que na agitação do mar, e nas suas tempestades, tenhamos que remar muitas vezes contra a corrente.
Mesmo que quando toda essa agitação acabe, que demore muito tempo para ouvir alguém a gritar "terra à vista".
E é na terra que percebemos a incoerência e a falta de meios-termos do mar.
É nessas tempestades que percebemos a verdadeira profundidade do mar.
Não é que eu seja pescador, para além de ser de terra de pescadores, e ter familiares pescadores.
Mas são os pescadores que atualmente melhor conhecem o mar.
Eles, e os marinheiros portugueses, que descobriram este mundo, seja na calmaria de lidar com vários povos distintos do nosso, seja nessa agitação marítima, por intermédio dessas tempestades que frisei.
Porque ainda há muito para descobrir.
Porque a nós portugueses, não são os Adamastores desta vida que nos intimidam, mas sim nós que intimidamos esses Adamastores.
E porque existem muitos heróis do mar em terra, mesmo que esses heróis nunca tenham tido a experiência de navegar no mar, mas apenas a experiência de navegar nestas tempestades da vida.

sábado, 4 de setembro de 2021

Meu anjo da guarda

"Oh meu anjo da guarda
Faz me voltar a sonhar
Faz me ser astronauta
E voar".
Na voz de dois ícones da música portuguesa (Tim e Rui Veloso), surge a música "Voar".
Que descreve muito daquilo que vou sentindo.
Ao meu anjo da guarda que vou pedindo que me guarde.
Ao meu anjo da guarda que vou pedindo que não me faça baixar os braços, mesmo quando a vida nos tenta empurrar com todas as forças para o lado oposto.
Mas afinal qual é o lado oposto?
Para quem não sabe o caminho para chegar à verdadeira felicidade, só me resta o meu anjo da guarda para ser o meu GPS e o meu guia, nesta viagem atribulada e com muitos poços de ar.
Uma vida sem sentido, seja no que ela nos traz, seja na direção da mesma.
Ao meu anjo da guarda que me traga definitivamente os "Olhos de Deus" (referência a uma música da fadista Ana Moura).
Os "meus" Olhos de Deus, atualmente é a minha irmã.
Que continua tão longe, mas tão perto de mim no coração.
É graças a ela que o sentido da vida, ainda tem alguma direção, mesmo não tendo nenhuma.
Mas depois lembro-me de outros olhos de Deus, que apareceram e desapareceram, deixando-me a vaguear e a questionar tantos porquês sem resposta.
Ao meu anjo da guarda, que questiono para as perguntas que tendem a continuar sem resposta, mas que espero um dia conseguir tê-las.
Seja com resultados de rezar sem cessar, seja com acontecimentos numa vida que não é boa, mesmo sendo, em comparação com outras pessoas da humanidade.
Humanidade esta que devia restruturar melhor as verdadeiras prioridades de uma vida.
Troca-se trabalho por dinheiro fácil e sujo, amor por prazer, rezar por espiritistas, o bem pelo mal.
Humanidade triste que faz sofrer quem só quer ser feliz.
Humanidade que continua sem acreditar no nosso anjo da guarda.
Ao anjo da guarda que me protege, mas que juntamente com Deus e os seus olhos sobre este planeta, que nos faz passar por tantas provações.
As provações custam, mas fazem-nos crescer.
Um pai não dá sempre as prendas que um filho pede.
Às vezes não dá, outras vezes dá com o tempo, e outras vezes dá-nos praticamente no imediato.
Numa humanidade longe do caminho certo, empurrando quem está no caminho certo para o errado.
Às dores silenciosas que nos afetam e magoam.
Numa humanidade que cada vez mais é egoísta, e que menos sabe viver em humanidade.
E é por a humanidade não saber viver em humanidade, que cada vez mais é cada um por si.
E sendo cada um por si, acabamos por nos afastar muitas vezes do único apoio, que muitas vezes não é físico.
A Deus que tem os olhos sobre este planeta, mesmo que nós não o vejamos.
A Deus que tem os ouvidos sobre este planeta, mesmo que nós não o ouçamos.
A Deus que nos toca, sem tocar.
E ao meu anjo da guarda, que vai fazer me voltar a sonhar e a voar, mesmo que a vida terrena mostre que não.
Porque os melhores planos de uma vida, estão em que é omnipresente, presenteando as nossas vidas com presentes da sua presença.

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Voltar

Cada vez que regresso...
Cada vez que venho...
Cada vez que volto...
É o sentimento de um estado completo.
À beira do meu Rio Arade, escrevendo mais um texto, mais uma reflexão de muitas.
O Arade que me inspira e expira.
O beijo da mãe, as traquinices da mana, as zangas do pai...
Acho que nunca valorizamos verdadeiramente as coisas enquanto temos.
É um defeito do ser humano.
Chorar, por tudo e por nada.
Depois ligamos a televisão nas notícias, e percebemos que somos uns Senhores Priveligiados, e ainda nos dignamos a chorar, por não termos o que mais desejamos.
E sabemos que o fruto proibido, é sempre o mais apetecido.
Somos ingratos.
Ingratos por vivermos uma boa vida, e mesmo assim lamentarmo-nos pelo que não temos.
E é curioso que lamentamos mais aquilo que não temos, do que valorizamos aquilo que temos.
E depois desço mais uma vez...
Faço os ingratos 600 quilómetros, e volto.
Volto a estar com quem amo verdadeiramente, e a quem deveria entregar-me verdadeiramente, porque são pessoas que por mais que me possam desiludir, ou que eu possa desiludir, são pessoas que sei que jamais me abandonarão.
Que fazem tudo por mim.
A família é tão importante para nós mesmos, quando queremos estacionar e estabilizar.
E sentirmos a ausência dos nossos únicos afetos...
É um sentimento extremamente negativo.
E pode parecer que não, mas este sentimento extremamente negativo, assola-me há praticamente 3 anos.
Por desejar sempre o que não tenho por perto, ou que não posso ter.
Voltar à minha terra é sempre medicinal.
O meu Algarve foi a melhor herança que me deram e deixaram.
Porque o paraíso onde muitos passam férias, é o paraíso de onde eu vim, e de onde eu sou, dizendo-o de peito cheio, sempre orgulhosamente.
E todo o sentimento deste estado completo que falei acima, acaba quando volto novamente a "galgar" 600 quilómetros para norte.
Porque sonho com o dia em que volte, sem uma ida.
E porque no fundo eu sei, que um dia voltar, vai ser a melhor decisão que tomarei para a minha vida.

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Conformação

Na conformação que resido, sem residir, tentando me conformar.
A cada segundo, minuto, hora, dia, semana, mês, ano que passa.
Um estado de conformidade que não vem de mim, mas de lá de cima.
Eu tenho alguns amigos que são católicos.
Eles rezam, eles pedem, suplicam, mas agradecem o que têm?
Conformam-se com a vontade de Deus?
As pessoas têm de entender que nós não somos o nosso próprio Deus (a não ser que estejamos a falar de pessoas que sejam ateus).
É difícil conformar-nos com a vontade de Deus, eu sei que é...
Mas também sei que Deus me conhece melhor que eu mesmo.
E ele sabe o que realmente necessito para a minha vida.
Por isso, tento sempre colocar a minha vida nos braços de Deus, e conformar-me com a vontade dele.
Peço, mas agradeço.
Rezo, mas penitencio.
Suplico, mas conformo.
A nossa vontade, às vezes é igual à vontade de Deus, outras vezes não.
E quando mais cedo entendermos isso, melhor conseguimos encarar o caminho que se segue.
Não é por nada que costumo dizer que não faço planos.
Idealizo sim, penso sim, mas os planos?
Prefiro que sejam os planos de Deus.
Mas claro que estou sempre a "torcer" para que o que eu idealizo esteja em total conformidade com os planos de Deus, até para evitar algumas desilusões que possam surgir nas nossas vidas.
Mas continuo a querer e a crer que seja sempre os planos de Deus a guiar a minha vida.
Que seja os planos de Deus que me levem à verdadeira felicidade.
E que seja os planos de Deus que me levem ao verdadeiro sonho, e ao verdadeiro céu.
Porque no fundo aquilo que eu vou pedindo a Deus, é que me conforme com a conformidade dele.

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

You'll Never Walk Alone

O título deste texto, dá uma ideia daquilo que irei transmitir ao escrever mais uma reflexão.
A tradução é algo do género como "nunca caminharás sozinho".
Curiosamente é também o título de uma das músicas que conheço, que têm mais força, esperança e perseverança, no que toca à letra.
O tema foi escrito para um musical, mas anos mais tarde, tornou-se no hino oficial do Liverpool FC.
A música diz nos que quando estamos no meio de uma tempestade, que devemos manter a cabeça erguida.
Às vezes é bastante difícil.
Há tempestades, que às vezes, não são apenas meras tempestades.
Porque a força da natureza, é maior que toda a nossa força.
E esta frase, dá para usá-la nos vários sentidos que a vida tem.
Seja mesmo no estado puro da natureza, como no estado da vida de cada um de nós, em que nem sempre, com todas as forças que possamos ter para alcançar algo, conseguimos, avaliando também se essa força da natureza está a nosso favor, contra, ou abstendo-se de qualquer força.
A mesma música, continua dizendo que não devemos ter medo do escuro, e que no final de uma tempestade, há um céu dourado, e um "cantar prateado de uma andorinha".
É verdade que não devemos ter medo do escuro, mas às vezes a escuridão, traz à tona o pior de nós.
A maneira de combater tudo isto, é tendo esperança.
Aceitar verdadeiramente com o coração, tudo o que possa estar a acontecer na nossa vida.
Porque quando mais cedo uma pessoa aceitar aquilo que está a viver ou a sentir, mais rapidamente a tempestade e essa escuridão termina, começando a ver de seguida esse "céu dourado" e ouvindo o "cantar prateado de uma andorinha", como nos diz a música.
Independentemente dos nossos sonhos serem jogados ou destruídos, devemos continuar a caminhar pelo vento ou pela chuva, continuando a andar, sempre com esperança no coração.
E é a esperança através da fé, que nos transforma.
Que faz com que a escuridão do início, passe de seguida para a iluminação.
Que a tempestade, passe ao "céu dourado".
Porque no dia em que tiver dúvidas para onde estou a caminhar, sei que jamais irei caminhar sozinho, mas com Deus sempre ao meu lado.

sábado, 28 de agosto de 2021

Crucificação

O primeiro texto totalmente católico que irei escrever (ou pelo menos tentar, porque falar de algo perfeito, não é fácil).
E quem não for católico, ou não tiver qualquer religião, com todo o respeito que tenho por essas pessoas, pode sempre passar à frente, porque neste texto falarei sobre alguém.
A alguém que creio.
A alguém que adoro.
A alguém que espero.
A alguém que amo.
Prego após prego, dor após dor, chaga após chaga.
Podia falar do corpo desse alguém que adoro, mas a frase descrita acima, pode também definir aquilo que é a minha alma e a minha vida.
O prego, é as machadadas que a vida nos vai dando.
São os momentos de provação, que passamos nas nossas vidas, para confirmar quem é na realidade fiel, àquilo que nos incutem desde novos, e que vamos renovando diariamente, semanalmente, mensalmente, anualmente, e durante todo o decorrer desta etapa da vida, com muita crença e muita fé.
A dor é o resultado desse prego, cravado na cruz.
É o sofrimento, sobretudo no interior de alguém, mesmo que esse sofrimento não seja físico, como no caso desse alguém que amo.
No meu caso, e no caso da maioria da sociedade, a dor que é interna, acaba por ser mental, social ou espiritual.
Mas mesmo nesses momentos de tribulação, há sempre a solução de nos agarrarmos à cruz, à espera que tudo mude, e que essa dor passe.
E se tivermos fé, tudo passa.
Se tivermos fé, tudo o que ambicionamos, conseguimos, agarrados a essa mesma cruz.
Porque aos olhos desse alguém que foi crucificado, não existem impossíveis.
As chagas, é tudo o que se exterioriza dessas dores.
É aquilo, que por muito que queiramos guardar apenas para nós, não conseguimos.
As chagas acabam indiretamente por ser as cicatrizes que nos marcam, e que honramos, desde que esse alguém que eu creio, carregou a sua cruz até ao calvário.
E desde desse momento, cada pessoa passou a carregar a sua própria cruz, através dessas provações que em cima falei.
Para que quando cheguemos ao calvário, que saibamos que este alguém que eu tanto espero, esteja lá ao meu lado crucificado.
Mas quem é este alguém?
Um alguém que morreu por nós, que nos salvou, e que nos ressuscitou.
Jesus é seu nome, e Cristo que criou o cristianismo, que é a sua igreja.
Se um dia a vida decidir me crucificar, mesmo que não seja no estado físico, que eu esteja ao lado do meu Salvador, para que 3 dias depois, ele me guie, e me possa levar também à alegria da ressurreição e da vida eterna.

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Gritos de revolta

Já deixou de ser um apanágio...
Parece que qualquer texto que escreva, que os temas desses mesmos textos vão sempre bater no mesmo.
Com reflexões diferentes a cada fase distinta da minha vida, mas na realidade, é mais do mesmo.
Os textos são mais do mesmo.
A vida é mais do mesmo.
E enquanto rezamos por tudo mudar, nada muda.
Ou muda com o tempo.
Mas para quem é ansioso e impaciente como eu, esperar não é um dom que esteja ao meu alcance.
Num grito de revolta a tudo!
Na habitual e constante tristeza e solidão, bem longe das pessoas que eu amo.
Num grito de revolta contra as saudades.
Num grito de revolta contra a ansiedade.
Num grito de revolta que cada vez mais se torna ensurdecedor.
Num grito que no meio do nada, e no meio do silêncio, que se faz ouvir.
Mas não oiço esse grito com os ouvidos.
E não é por nada que a minha banda musical favorita (Xutos & Pontapés), têm um tema com o nome de "Gritos Mudos", que chamam à atenção sem chamar, e numa "vida que se joga sem nenhuma razão".
Oiço esse grito a ressoar na cabeça de quem não tem cabeça para continuar a alimentar o pouco ou o nada que a vida nos vai trazendo.
Oiço através da alma.
Através do coração, que tem mil e um pedaços para juntar, mas no qual a vontade de juntar esses pedaços, é inexistente.
Não é que o meu coração seja um puzzle, mas se for, a única pessoa que conheço que gosta de puzzles, e que os faz tão bem e tão rápido, é a minha irmã.
E é ela, que quando faço os ingratos 600 quilómetros que me separam dela, que me consegue fazer momentaneamente este puzzle que se tornou o meu coração.
Mas voltando a fazer estes ingratos 600 quilómetros até à casa de chegada, tudo volta ao mesmo.
Para quem semeia muito, colher pouco ou nada é destabilizador.
Leva-nos a fazer várias questões sobre o que fazemos, se o que fazemos é certo ou errado.
E mesmo que as intenções de alguém sejam as melhores possíveis, é impossível alguém que tenha as melhores intenções para com outro alguém, ser bem sucedido, quando esse alguém está rodeado de m****.
É incrível que a única coisa que dá certo nesta vida, são estes mesmos gritos de revolta.
Os gritos de raiva, que me faz rangir os dentes, que me coloca o peito preso, por achar que tudo é insuficiente.
E que o insuficiente, não é nada mais, nada menos, que este estado de insuficiência.
Não é uma insuficiência cardíaca, mas sim uma insuficiência de personalidade, e de mentalidade.
Uma mentalidade que me traz maturidade, sem a trazer.
E se a maturidade devia-nos fazer com que não nos sujeitassemos a tudo, a realidade é que sinto a insuficiência dessa maturidade, quando prefiro perder-me a mim mesmo, do que perder os meus valores.
Os valores são alteráveis, mas a minha personalidade não.
E aquilo que eu faço, é o contrário daquilo que se deve fazer.
Há quem diga que sou bom conselheiro.
Mas para essas pessoas que seguem os meus conselhos, ou que são minhas amigas, prefiro dizer-vos aquela frase, que já é um clássico da vida: "faz o que eu te digo, não faças o que eu faço".
E é por não me ouvir a mim mesmo, que os gritos de revolta vão permanecer, até que tudo mude sem mudar.

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Aviões

Nunca tive o sonho de ser piloto de avião.
Aprendi a gostar de aviões, devido a vários fatores, mas creio que um dos fatores principais, foi sem dúvida o facto de ter de viajar várias vezes por via aérea, para ir à Madeira e aos Açores relatar futebol.
No local de trabalho diário, vejo todos os aviões, que fazem o seu processo de aterragem ao Aeroporto Sá Carneiro.
Inclusive aprendi com o tempo a gostar de aviões, e passei a ser quase que como um "fanático" pelo tema aviões.
Mas hoje, vou escrever sobre um avião em específico.
Um avião que espero pelo dia em que o destino que eu tanto quero, esteja disponível nos aeroportos deste mundo.
Se já existe um autocarro com o destino para os "Sonhos" (o 703 da STCP, e quem não acreditar, pode ir ao site da empresa pública de autocarros do Porto confirmar), a realidade é que espero pelo dia em que haja um avião, com destino ao "céu".
E na realidade os aviões voam pelo ar, vão a altitudes que chegam quase ao céu, mas não é desse céu do planeta terra que eu falo.
Falo sim, do céu, onde só há paz, amor e felicidade.
O cansaço da rotina diária, unida à saudade de quem está longe, leva-me a procurar muitas vezes outros voos.
E se fosse possível o ser humano voar, sem ser de avião, confesso que voaria sem pousar.
Apenas iria para onde o caminho me levasse.
Mas mesmo que não voo, creio que vou na mesma, para onde o caminho me leva.
E para onde ele me leva?
Nem eu sei, só Deus sabe.
Creio que não vale a pena perdermos tempo, ou "batermos crânio" naquilo que podia ter sido e não foi.
Ou por onde devíamos ter ido, e não fomos.
Na realidade, a vida vai arranjar sempre maneira de nos trocar as voltas, no que toca aos planos que possamos ter.
Por isso, não vivo de planos, mas sim de ideias, e de sonhos.
Se acontecerem, melhor, se não acontecerem, o segredo é não depositar expectativas naquilo que ainda não aconteceu sequer, porque não vale a pena, é tempo perdido.
E quando aprendemos a viver dessa maneira, conformamo-nos mais com a vontade de Deus, porque se Deus existe (e eu tenho a plena fé que sim), ele só quer o melhor para nós.
E é ele que faz a vida de cada pessoa ter sentido, sem fazer muito.
Porque se os aviões não voam tão alto quanto deviam, o meu desejo, é que chegue o dia, em que os aviões aterrem nesse céu, que descrevi em cima.

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Relato da Falsidade

À falsidade que me mete nojo.
À falsidade que me irrita.
À falsidade para a qual me falta a paciência.
Há pessoas que têm tanto de falsas, como de tóxicas.
Pessoas essas, que têm duas caras.
Pessoas a quem eu desejo que o famoso "karma" não se esqueça delas, na hora de colher o que andam a plantar.
Pessoas que não se importam que uma pessoa a quem amam, seja infeliz, devido a essa falsidade.
A minha vida que é feita de relatos, mas o relato da falsidade que cada vez mais reina no mundo, é um relato que não gostava de descrever.
À falsidade que leva as pessoas a falarem amigavelmente com alguém, e com uma mão, já têm uma faca preparada, para assim que virar as costas, espetarem a faca.
É nojento!
Pessoas que não se incomodam de viver a dificultar a vida dos outros, muitas vezes sem os outros se aperceberem, porque vêm com falsas boas intenções para cima delas.
Uma falsidade, que prejudica não só os outros, como pessoas a quem essas pessoas falsas também amam.
Sinceramente, prefiro que as pessoas sejam sinceras e frontais comigo, por muito que me possa efetivamente doer, do que andarem a alimentar as pessoas com falsas intenções.
À falsidade que é filha da p***.
À falsidade que não larga este mundo, nem nunca irá largar, enquanto as pessoas mal intencionadas, não se deixarem de achar donas e deusas deste mundo.
E às vezes essas pessoas que se acham deusas, até andam metidas bem dentro das suas religiões, praticando-as sem um pingo de noção, porque se acreditamos em um ou mais deuses (dependendo da crença de cada qual), deveríamos deixar que ele ou eles fizessem a sua vontade, e não a nossa.
À falsidade que não deixa ninguém indiferente, mas há qual falta "tomates" a muita gente para saber encarar de frente.
Eu sempre os tive no sítio, e tenho um grande orgulho de o poder dizer.
O facto de viver no norte de Portugal, fez me ganhar uma grande escola para enfrentar e encarar pessoas à qual a falsidade deveria cobrar imposto, mas não cobra.
Porque se há relatos que os jornalistas não gostam de fazer, o relato da falsidade, foi um dos que menos gostei de descrever.

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Casa de Partida

A casa de partida, que às vezes é a casa de chegada, outras vezes não.
Mas é a casa de partida que me faz teletransportar no tempo, ao tempo em que eu ainda não tinha dado sequer um passo, neste caminho da vida.
Hoje o sentimento tipicamente português (a saudade), faz me relembrar os bons momentos aqui eternizados, nesta casa de partida.
Mesmo que a minha casa de chegada, seja a 600 quilómetros da casa de partida.
Às vezes a vida parece que se movimenta de forma circular, outras vezes de forma linear.
Mas é na casa de partida, que consigo ganhar as forças que necessito, para quando voltar à casa de chegada, voltar com as baterias carregadas.
Esta casa de partida, que alguns rappers desta mesma casa, eternizaram como "85" (referência clara ao código postal).
Mas eu prefiro eternizar esta casa de partida, de uma forma mais romântica.
Desde desta ponte velha (como assim é denominada pela maioria das pessoas que vivem nesta casa, mesmo que muitas delas não saibam que esta ponte foi desenhada pelo francês Gustave Eiffel, o tal que desenhou a famosa torre de Paris, ou a estátua da Liberdade em Nova Iorque, e o mesmo que desenhou a Ponte D. Maria Pia na minha casa de chegada), ao mesmo tempo que o meu olhar se curva, perante o meu belo Rio Arade, e por esta casa tão linda e tão pura, com a extraordinária paisagem que Deus nos deu.
Na minha mente surge o fado de Lázaro Alves (meu avô), e imagino como seria essa "Lota de Portimão", nesses loucos anos 80.
A verdade é que a lota desta casa, mudou para a margem oposta de onde era anteriormente.
E é perante este olhar carregado de simbologia, de orgulho, e de esperança, que observo a minha casa de partida.
Mas no fundo, aquela que sempre considerarei como a minha verdadeira casa.
Porque foi esta casa que me deu as armas necessárias, para correr o país e o mundo, à procura de um sonho, que nos dias de hoje, é tão duro e tão ingrato.
E mesmo que esta casa de partida, não seja sempre a minha casa de chegada, hoje é.
Posso não ter nascido num berço dourado, mas esta casa é sem dúvida, a casa mais bonita do mundo.
E se não for, é pelo menos a casa mais bonita do meu mundo.
Disso não tenho dúvidas.
Porque se esta casa é atualmente a minha casa de partida, eu sei, que um dia, esta também será a minha casa de chegada.

Vacina

Hoje trago um tema para os meus textos, que anda na boca do mundo.
Existem vários tipos de vacinas.
Existem as vacinas que se dão aos moços pequenos, a vacina de uma epidemia, que têm vendido como pandemia na Comunicação Social, para espalhar o medo pela população mundial (sabendo-se de antemão que o medo controla), e existe a vacina dos sofrimentos.
É desta última que vou falar.
A vacina dos sofrimentos que não é injetável com uma agulha, mas magoa muito mais que qualquer dose de cavalo que uma vacina deposita num organismo humano.
A vacina dos sofrimentos, que é exatamente como uma vacina normal.
Vejamos:
Uma vacina normal, tem componentes controladas de um determinado vírus, que faz com que ao ser injetado num corpo humano, que o organismo se habitue a esse determinado vírus (não é muito bem o que acontece com essas novas pseudo-vacinas, mas passemos).
E a vacina do sofrimento, acaba por ser igual.
A única diferença, é que a vacina dos sofrimentos, nós não escolhemos apanhar.
Simplesmente a vida obriga-nos a tomar.
E outro facto desta vacina do sofrimento, é que não tem as componentes controladas desse vírus.
É uma vacina que nos faz ter esses efeitos secundários, quando caímos no fundo, muitas vezes em coisas que nós nos arrependemos de fazer.
Mas o organismo começa a recuperar com o tempo, e cada novo sofrimento, acabamos por encarar como mais um.
Já não nos "rebenta" tanto sofrer, depois de vacinados com essa vacina do sofrimento, mesmo testando positivo ao sofrimento, e tendo sintomas a esse mesmo sofrimento.
Mas aí, o organismo já está habituado.
Já temos muitas mais forças para lidar com mais um sofrimento, do que quando lidamos com os primeiros.
Porque a vacina que não me mata, é a vacina que me torna mais forte.

sábado, 14 de agosto de 2021

Nevoeiro

O nevoeiro que se abate sobre a "antiga, mui Nobre e sempre Leal Invicta Cidade do Porto", é comparável a um outro nevoeiro que vai se abatendo sobre mim.
É na descrição deste nevoeiro que me concentro.
Um nevoeiro que nos impossibilta de ver a diante.
Quer vá no carro, no metro, no autocarro, no comboio, a pé, ou no pensamento.
Um nevoeiro que é de certa forma ingrato.
Sobretudo para quem sonha.
Mas nem sempre quando um homem sonha, a obra nasce.
Às vezes há obras que não têm de nascer.
Outras têm, mas não podem crescer.
Outras crescem, mas depois são demolidas.
Só o nevoeiro não é demolido.
Às vezes questiono-me o porquê das nuvens pairarem tantas vezes tão baixo.
O nevoeiro que é como sentir um autêntico murro no estômago.
Deixa-nos de certa forma enjoados, e a cambalear de um lado para o outro, não vamos nós atropelar alguém, com tanto nevoeiro que faz.
Mas depois apercebo-me que quem atropela quem, é o nevoeiro a mim.
Na incerteza de tudo o que vamos vivendo.
Nos riscos que não corremos, por já termos sido demasiado riscados.
Noutras vezes, vamos na fé, e logo se vê.
Se as coisas correrem mal, tenta-se outra vez, como a primeira vez.
Ou quando é duro demais para tentarmos, simplesmente abstém-se de tentar.
Ao nevoeiro que incomoda.
Ao nevoeiro que cria náuseas.
Ao nevoeiro que equivale um sentimento.
Quando nem as luzes de um candeeiro da rua, conseguimos ver durante a noite, por culpa desse nevoeiro.
A noite, a escuridão, a solidão, o nevoeiro...
Uma boa receita para quem sente e ressente os dissabores diários de uma vida de sorte ao azar.
Porque se o nevoeiro passasse de uma vez, e as nuvens partissem, veria finalmente o sol a brilhar na minha vida.

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Coração

Um palpitar no coração.
O sangue a correr nas veias.
Uma emoção num sentimento.
Borboletas no estômago, a juntar a um friozinho na barriga.
Valorizar o que é importante, e desvalorizar o que não interessa na mesma proporção.
Acreditar no caminho, acreditar na vida, acreditar em Deus sempre, e no poder da oração.
Acreditar que nada acontece por acaso (como diz a minha mãe muitas vezes).
E seguir sempre com cabeça erguida, por mais forte e dura que possa ser uma derrota numa batalha, ou mesmo numa guerra.
Por algum motivo perdemos uma determinada batalha ou guerra.
Hoje estava a ver uma prova de Hipismo nos Jogos Olímpicos, e vi uma atleta portuguesa a fazer uma prova quase perfeita.
Mas o cavalo dela deitou abaixo algo que não devia, e ela acabou por ser penalizada e desqualificada.
E se não tivesse deitado, possivelmente teria ganho uma medalha de ouro.
A vida às vezes dá nos estas derrotas inesperadas.
Porque tudo faz parte de um crescimento espiritual, emocional e social.
Para que possamos mudar, crescer e amadurecer.
Já percebi que a vida faz sentido, sem o fazer.
Mas se a vida fizesse sentido às claras, isto também não tinha piada nenhuma.
São os factos inesperados que fazem um coração saltar mais forte.
Seja de alegria ou de tristeza.
De emoção ou de sensação.
De momentos passageiros aos eternos.
Aos pressentimentos que batem certo, passando pelos pressentimentos que nos desiludem.
Ao que achamos que é, e não é, e ao que achamos que não é, e na realidade é.
Ao que achamos que merecemos, e ao que achamos que não merecemos.
Ao melhor que está guardado para nós, mas também ao pior, que é o que nos faz crescer.
E no fundo, para que o meu conterrâneo (algarvio) Diogo Piçarra continue a cantar:
"É ter o coração no lado certo".

domingo, 1 de agosto de 2021

Solidão

Eu, eu e eu.
Somente eu, comigo mesmo, a dar os meus passos em frente neste caminho da vida.
A maioria das amizades que pareciam verdadeiras, eram na realidade amizades ocasionais e momentâneas.
E neste deserto da vida, olho para todo o lado, e apenas vejo areia, à medida que vou sentindo as altas temperaturas do calor que a vida nos vai proporcionando.
Mas é um calor incomodativo.
Não é um calor como cheguei a sentir outrora.
Esse calor sabia muito melhor, que o calor que sinto atualmente.
Talvez seja o calor da solidão.
Às vezes as pessoas questionam-se o porquê das pessoas que mais gostamos serem de longe.
No meu caso, quem está longe de onde é, sou eu.
As saudades de casa, as saudades da família, as saudades dos poucos verdadeiros amigos, intensificam-se cada vez mais, enquanto a solidão se intensifica de forma igual.
Uma solidão que nos causa tristeza.
Uma solidão que nos faz questionar de certa forma, quem somos.
E o chefe Ljubomir que uma vez disse numa entrevista, que quando estamos nos altos voos da vida, que todos querem estar connosco, todos querem abrir uma garrafa de champanhe e comemorar connosco.
Mas o mesmo chefe, disse na mesma entrevista, que quando estamos dentro de um lago, a boiar no meio de m****, que dificilmente alguém nos vai dar a mão, para nos tirar de lá.
E é aí que percebemos quem são os verdadeiros amigos, e quem são as amizades ocasionais ou momentâneas.
Esta solidão que me fez fazer escolhas, que me fez afastar de tanta e tanta gente, e perceber que realmente não são muitos com quem eu possa verdadeiramente contar.
Que me fez deixar de insistir em quem não deve ser insistido.
Mas uma solidão que me fez ganhar muito amor próprio.
É o único facto positivo que consigo retirar desta solidão.
E o facto de estar longe de todos aqueles que eu amo, ainda ajuda a intensificar todo este sentimento, que não desejo sequer ao meu maior inimigo.
Talvez um dia volte.
Talvez um dia regresse.
Que finalmente me renda ao pseudo-sonho, e que volte para onde sou verdadeiramente amado.
Porque se existisse uma definição clara para a solidão, o meu sentimento é a descrição perfeita de alguém que será sempre imperfeito.

quinta-feira, 29 de julho de 2021

Purgatório

Mais um dia no purgatório.
Mais uma chamada a cair na caixa do correio.
A vida que faz sentido, sem fazer.
Digo isto, porque quando olhamos para o hoje, a vida não faz sentido.
Mas se olharmos para trás, e cruzarmos todos os pontinhos, a vida até que faz algum sentido.
E Deus que escreve direito por linhas tortas...
Uma chamada que é feita desde do purgatório.
E eu não sei muito bem onde estava o cantor "Conan Osiris", quando dizia que tentava ligar para o céu, e não conseguia.
Mas falo de uma chama que queima.
Por dentro e por fora.
Por dentro, através do sofrimento, por fora, através do fogo, que é a vida.
E eu sou tão quente, tão fogo, e tão sentimental...
No mundo gelado em que vivemos hoje, irrita-me profundamente ser tão quente e tão sentimental.
E o gelo, quando é frio demais, também queima...
Mas sei que são caraterísticas que trago comigo.
Que fazem parte de uma pessoa, e de uma personalidade que cada vez tem menos personalidade.
Um amor próprio que não é suficiente, quando sentes que falta algo na tua vida, que te complete.
E eu sei bem daquilo que necessito.
Mas o tempo não me traz o que tanto ambiciono.
E com isso, acabo por voltar a queimar no purgatório.
Nos medos, nos receios e nas dúvidas.
Na ansiedade, na impaciência e na dor.
Na infelicidade e na constante falta de paz.
Na ausência de um amigo.
Que nos oiça, que consiga sentir momentaneamente aquilo que estamos a sentir, e que nos consiga dar bons conselhos, em relação a este purgatório.
Uma chama num purgatório que não queima sempre com a mesma intensidade.
Intensidade essa que não falta, quando o mesmo purgatório nos chama.
Às vezes queima demais para aquilo que nós conseguimos aguentar.
As lágrimas e o choro que deitamos, quando o fogo nos queima, não são suficientes para apagar essa chama.
Outras vezes queima de fininho, sendo uma chama tão sonsa, que começa a arder sem darmos conta, e quando damos, nem que chamem os bombeiros para apagar, que não conseguimos.
E a confusão que se instala, ao tentar apagar o fogo do purgatório, é tão comparável à confusão que se vive neste mesmo purgatório.
Mas se pudesse escolher a única chama que queria, não era esta do purgatório, mas sim a chama da paz, da felicidade e do amor.
Para que o fogo deixe de arder, e que as pombas brancas me levem desde do purgatório, ao céu, onde só a paz, a felicidade e o amor reinam.

segunda-feira, 26 de julho de 2021

Ameno

"Dori me
Interimo adapare, dori me
Ameno, ameno"
Hoje vou pegar num dos cânticos gregorianos mais conhecidos.
Escrita pelo grupo francês "ERA", e num latim macarrónico, esta música exterioriza a "dor" e pede para que tudo se amenize (ameno).
Um latim macarrónico que me faz passar pela personagem "parvo" que Gil Vicente escreveu no "Auto da Barca do Inferno".
E na realidade, esta música acaba por descrever um pouco daquilo que vou sentindo.
É necessário amenizar.
Amenizar dos pensamentos que nos metem fora de controlo.
Amenizar da ansiedade que me incomoda.
Amenizar de todo e qualquer tipo de dor.
E se esta música pode ser expressa um pouco ou em nenhuma língua morta, a verdade é que a minha escrita é viva, sobretudo quando o latim com que se baseia o meu idioma, ajuda-me a expressar aquilo que vou observando, pensando e sentindo.
Um cântico gregoriano que apela à calma.
Que apela à paciência.
Caraterísticas que tanto necessito na minha vida, mas que infelizmente não tenho.
Para que consiga amenizar e finalmente libertar-me da dor que me incomoda.
Mas muitas vezes, apelar a essa calma, não chega.
Às vezes é necessário tempo.
Porque ele nem sempre é o nosso melhor amigo como nos dizem, mas ele ajuda-nos a responder a muitas questões sem resposta.
Não é que eu viva no meio de perguntas retóricas, mas muitas respostas só são compreendidas e recebidas, com esse mesmo tempo.
Para que o grupo "ERA" possa continuar a eternizar a frase "ameno dom dori me reo".