segunda-feira, 26 de julho de 2021

Ameno

"Dori me
Interimo adapare, dori me
Ameno, ameno"
Hoje vou pegar num dos cânticos gregorianos mais conhecidos.
Escrita pelo grupo francês "ERA", e num latim macarrónico, esta música exterioriza a "dor" e pede para que tudo se amenize (ameno).
Um latim macarrónico que me faz passar pela personagem "parvo" que Gil Vicente escreveu no "Auto da Barca do Inferno".
E na realidade, esta música acaba por descrever um pouco daquilo que vou sentindo.
É necessário amenizar.
Amenizar dos pensamentos que nos metem fora de controlo.
Amenizar da ansiedade que me incomoda.
Amenizar de todo e qualquer tipo de dor.
E se esta música pode ser expressa um pouco ou em nenhuma língua morta, a verdade é que a minha escrita é viva, sobretudo quando o latim com que se baseia o meu idioma, ajuda-me a expressar aquilo que vou observando, pensando e sentindo.
Um cântico gregoriano que apela à calma.
Que apela à paciência.
Caraterísticas que tanto necessito na minha vida, mas que infelizmente não tenho.
Para que consiga amenizar e finalmente libertar-me da dor que me incomoda.
Mas muitas vezes, apelar a essa calma, não chega.
Às vezes é necessário tempo.
Porque ele nem sempre é o nosso melhor amigo como nos dizem, mas ele ajuda-nos a responder a muitas questões sem resposta.
Não é que eu viva no meio de perguntas retóricas, mas muitas respostas só são compreendidas e recebidas, com esse mesmo tempo.
Para que o grupo "ERA" possa continuar a eternizar a frase "ameno dom dori me reo".

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