quinta-feira, 15 de julho de 2021

Amor Próprio

Depois de mais de 1 ano do grande incêndio, na minha vida, os terrenos começam aos poucos a ficarem férteis.
Devagar, devagarinho, à medida que o tempo vai avançando.
Lembro-me naquela altura desse incêndio na minha vida, me ter destruído tudo aquilo que eu tinha plantado, ao longo do tempo.
Depois foram horas de sofrimento, de choro, a contar os estragos que tive.
Os terrenos estavam semeáveis, mas não havia dinheiro para voltar a plantar.
Não havia dinheiro, nem vontade.
Era necessário fazer uma grande limpeza ao que se tinha estragado com esse incêndio.
Daí me ter afastado de tanta e tanta gente, e ter ficado praticamente na solidão.
A solidão que não é saudável, mas que nos faz refletir bastante sobre tudo, e nos obriga a amar-nos mais a cada dia que passa.
Porque se estamos só, vamos amar quem?
É aí que começamos a ganhar amor próprio.
A solidão é um contraste enorme, já disse isso noutros textos.
Mas neste caso, ajudou-me a crescer, ajudou-me a amadurecer, e ajudou-me a saber valorizar mais.
Ah, mas estava a falar do incêndio.
Depois de contar os estragos, depois de limpar tudo, no meio de tanta dor de ver tudo aquilo que tinha plantado, estragado por esse fogo, tive que pedir "um empréstimo ao banco".
Esse empréstimo, foi sem dúvida a ida para o meu psicólogo, que me ajudou a dar bases para saber encarar todos os estragos, e ter coragem para voltar a semear, evitando o medo e o receio de voltar a passar um grande incêndio pelos meus terrenos.
A partir daí, e após esse "empréstimo", investi em sementes, e claro, comecei a semear novamente na minha vida.
Sempre com o grande carinho de sempre, com o melhor daquilo que tenho e tinha.
Os terrenos ficaram semeados, mas agora é necessário aguardar o seu tempo, para poder voltar a colher.
É assim a lei da vida.
E até votar a colher, é necessário paciência e sobretudo a tentativa de inibição da ansiedade (qualidades que infelizmente não tenho).
Mas sei e sinto que quando voltar a colher, por aquilo que semeei e plantei, que vai ser só boa plantação a ser colhida.
E aí questionamo-nos verdadeiramente se o melhor de mim já passou, ou se ainda não chegou sequer.
O problema na vida de muita gente, é que muitas vezes olhamos mais para o que aconteceu, e menos para o que fizemos.
E na maioria das vezes, aquilo que fizemos, é muito maior e melhor, que aquilo que aconteceu.
O trajeto nem sempre é reto, mas quem é lutador e audaz, acaba por ter sempre orgulho nesse mesmo trajeto, mesmo sabendo que não se deve olhar para trás.
E creio que a verdadeira chave do amor próprio é essa.
Aprendermos a valorizar o que fizemos, aquilo que na verdade nos dá orgulho, e desvalorizar, de certa forma, aquilo que aconteceu.
Eu sei que o que fica na história, é somente o resultado final.
Mas muitas vezes o caminho é lindo demais para ser esquecido, e acabamos por nos esquecer dele, porque o resultado final não foi tão positivo.
E é aí que ganhamos o amor próprio.
Um amor próprio que nos torna indestrutíveis.
Que nos torna maiores que os acontecimentos negativos que a vida nos traz.
E por isso, há sempre que ter esperança, e pegar no terço sempre, e rezar para que tudo mude.
E Deus, vai nos encaminhar para o caminho certo.
Basta ter fé e acreditar.
Porque quando começamos a ter amor próprio, não há nada, nem ninguém, que consiga derrubar, aquilo que são os verdadeiros planos de Deus.

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