"Aqui estou eu
Sou uma folha de papel vazia
Pequenas coisas
Pequenos pontos
Vão me mostrando o caminho"
A música "Perfeito Vazio" da minha banda favorita (Xutos & Pontapés), define um pouco daquilo que é a minha rotina solitária.
Chegar a casa do trabalho, já bem de noite, colocar a chave na fechadura, destrancá-la, abrir a porta, entrar em casa, fechar a porta, voltar a trancar a fechadura, e ouvir um silêncio ensurdecedor.
Um silêncio vazio.
A cada passo que dou no chão de madeira de casa, oiço o vazio da casa, e o vazio de mim mesmo.
E não só oiço, como o sinto.
Subo as escadas em direção ao meu quarto, e a madeira não pára de ranger.
O frio do clima do norte, espalha-se por todo o meu corpo.
Um frio que não é provocado apenas pelo clima, mas também por esse vazio.
É esse o sentimento que me assola há muito tempo.
Esse sentimento cheio de vazio.
Como se expetativas não houvessem para querer e crer numa vida mais morna, e menos fria.
Mas depois recordo-me que a maré da vida já levou tudo o que sonhei.
Apenas vou vivendo por viver.
Nesta vida de remissão que não é má, mas é bem distante daquilo que sonhei.
Daquilo que sempre foram as minhas ambições pessoais.
Às vezes questiono-me se é por eu tentar ser boa pessoa.
Conheço tanta gente neste planeta, e são raras as boas pessoas e as pessoas humildes que conseguem ser bem sucedidas neste jogo da vida.
Se calhar deveria tirar uma licenciatura de mafioso, com algumas cadeiras de arrogância e manipulador, porque a ideia que me dá, é que a vida só congratula quem não merece, e quem só sabe jogar de baixo nível.
Um vazio que se espalha cada vez mais, no momento em que me deito na cama, para dormir.
Um vazio que se espalha cada vez mais, com o tempo que passa sem passar.
Porque se existisse perfeição para descrever o vazio que sinto, então creio que tudo o que sinto, é sem dúvida um perfeito vazio.
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