domingo, 30 de maio de 2021

Vento

"Volta no vento, por favor"
Na voz de Teresa Salgueiro, o grupo português "Madredeus", canta uma das músicas mais extraordinárias da língua lusa.
"Haja o que houver", é uma música que toca nos corações, e que nos faz refletir.
Pelo menos a mim...
Voltando ao tema deste texto, ao contrário do que dizem os Madredeus, o vento leva, mas não traz nada de volta.
O vento que não sopra sempre na mesma direção, mas que faz voar, sonhos, planos, expetativas e muitas vezes pessoas.
O que é passageiro na vida, voa com o vento.
O que é real, fica.
Muitas vezes nem é necessário fazer vento, para o vento levar.
Nem que seja o melhor de nós.
Mas afinal, como podemos definir aquilo que é o melhor de nós?
Será que baseamos aquilo que consideramos o melhor de nós, nas experiências que vivemos até ao presente?
O melhor de nós tem tanto de relativo, como de interrogativo.
Como podemos considerar uma determinada experiência, como o melhor de nós?
E acabamos a questionar-nos se já vivemos o melhor de nós, ou se o melhor de nós ainda não chegou sequer.
Ao vento que sopra, muitas vezes tornando-se incomodativo.
Não só o vento do clima, como o vento da vida.
O vento que tende a levar tudo, sem nos levar.
Mas se o vento não for capaz de levar tudo, pelo menos que deixe de soprar tão forte, nas tempestades que a vida nos faz enfrentar.

segunda-feira, 24 de maio de 2021

Ratos

Os ratos que saem dos esgotos.
Os ratos que são nojentos.
Os ratos que para além de serem venenosos, também trazem doenças.
E eu tenho tantos ratos...
Não só no local onde resido (onde acredito não serem assim tantos quanto isso), como dentro dos meus esgotos, que são os meus sentimentos.
E acabo por me questionar se eu não sou um rato em modo humano.
Olho-me ao espelho, sentindo-me tão nojento como um rato.
Tudo o que eu sinto, é venenoso para quem quer olhar em frente.
E esse veneno, faz me ter doenças.
A doença de ser anti-social, de me querer isolar e ser um solitário desta vida.
Os ratos que fazem criação.
Tal como este sentimento negativo está farto de fazer.
Eles têm sentidos apurados (audição e olfato), outros menos (a visão).
Já eu tenho uma intuição mais apurada, que mesmo assim muitas vezes me engana, fazendo fugir dos predadores desta vida (as pessoas que nos magoam).
Os ratos que são canibais, igualmente como os meus ratos que estão dentro dos meus esgotos (os sentimentos), consumindo-se uns aos outros.
A fobia que tenho de ratos, é a mesma fobia que tenho de mim.
Pelo menos do meu eu do futuro.
Da fobia e do medo de não alcançar tudo aquilo que sonho.
Escondo-me de dia em casa, como os ratos.
À noite vou para outros locais (através dos sonhos), como os ratos.
Eu à procura de paz, eles à procura de alimentos para conseguirem sobreviver.
Se há muito em comum entre mim e os ratos, se calhar a distância que estou deles acaba-se na resistência.
Se eu sou o ser menos resistente que conheço, sobretudo no que toca a questões emocionais, eles são resistentes a quase tudo.
Não é por nada que eles são usados em laboratórios.
E mesmo não querendo ser uma cobaia da vida, às vezes até pareço um rato de laboratório, com a série de experiências que a vida me vai fazendo viver.
Se calhar até tenho mais a aprender com os ratos, do que ao tentar resolver o que aparentemente parece não ter resolução.
Porque se formos pôr isto noutras ratoeiras da vida, aquilo que me une aos ratos, se calhar até é bem maior que aquilo que me separa deles.

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Realidade

A realidade que não é realidade, quando tu mudas.
A realidade que não é realidade, quando tu ressentes.
A realidade que não é realidade, quando preferias voltar ao melhor.
Em menos de 1 ano, passei da vida de sonho que tinha, para uma vida de remissão.
Nada daquilo que vivo, foi efetivamente o que sonhei.
A vida ensinou-me este último ano, contrariamente ao que dizem esses poetas e esses filósofos de meia tigela, que infelizmente as boas fases passam, mas as más fases infelizmente não passam.
Nós apenas aprendemos a viver com essas más fases, com esses sentimentos de m****, nos quais nos fazem pedir para falecer a cada dia que passa.
A dor da realidade é maior que a esperança do futuro.
Sobretudo quando no passado vivemos aquilo que consideramos "o sonho".
E não se vive um sonho duas vezes...
À procura daquilo que sou, naquilo que fui...
Não sei se é um erro, mas um facto consolidado, é que a dor desta realidade desfaz-me cada vez mais esses sonhos que tinha, e que cada vez mais, abrindo os olhos a essa realidade, parecem cada vez mais inalcançáveis.
Não há vontade!
Não há vontade de viver!
Não há vontade de lutar!
Não há vontade de revirar!
Quando a vida nos leva tudo o que de melhor vivemos e fomos, devia levar-nos a nós também.
E já nem vou falar do mesmo de sempre.
Mas no meu caso, as questões profissionais mexem demasiado comigo.
A vida da rádio, que vivia há 1 ano, aliado ao amor que tinha por quem foi embora, era a vida de sonho que tanto queria, sem saber.
E perceber que tudo se foi, inclusive a paixão de criança, é duro demais.
A realidade que nos ajuda a tornar mais adultos, mas querendo ser crianças.
Querendo ser puros em todos os aspetos.
Querendo acreditar nos sonhos, como nos contam nesses contos de fada.
E hoje, tudo está de pernas para o ar.
Eu nem sei o que planear para o dia de amanhã.
Sem amor, sem trabalho, entrego-me ao calmante de sempre, e que não se deve (o álcool).
É o álcool que me vai iludindo acerca do futuro, tal e qual como esse alguém que um dia partiu sem deixar rasto, mas que vai ter sempre um enorme carinho por mim.
Se a realidade é tudo aquilo que vivo, o que desejo é que a realidade não se torne uma realidade para o resto dos meus dias.

domingo, 16 de maio de 2021

Divórcio

O divórcio, que me afeta...
Desde novo, que aprendi a lidar com esta palavra, que não existia no meu dicionário...
Começando pelo divórcio dos meus pais, que me marcou de uma maneira tão forte, que me levou na altura a uma perda tão grande da minha identidade.
E olhando para os dias que correm na minha vida, a melhor definição daquilo que estou a passar, e daquilo que o momento me coloca, divórcio, é a melhor definição.
Mas não é apenas o divórcio de alguém que um dia amei, e que decidiu seguir sem mim.
É também um divórcio de mim mesmo.
Um divórcio daquilo que eu era, e daquilo que me definia.
E confesso que adoraria que este divórcio, que é mais fantasíaco que real, fosse apenas uma fase.
Mas não é!
São cicatrizes que ficam, juntamente com as mazelas, para o resto de uma vida.
O medo de voltar a viver o que sinto, é maior que o medo de voltar a arriscar.
É maior que o medo de voltar a ser feliz.
E é maior que o medo de um dia voltar a amar.
Um medo que me vai invadindo a alma, e que me invade também o corpo, através do álcool, que é um contraste de alegria ou tristeza, à procura de um estado emocional mais ou menos estável, sem estabilizar.
A fuga de tudo.
A fuga de todos.
A fuga das 4 paredes que me prendem, sem fugir.
O divórcio de qualquer tipo de relacionamento.
Porque a vida já me mostrou que todas as pessoas de uma ou outra maneira, vão acabar sempre por nos magoar.
Mas para alguém que está tão magoado, é difícil...
É difícil conviver, é difícil sonhar, é difícil olhar para a frente, quando se olha constantemente para baixo, no intuito dos outros não verem a nossa cara de sofrimento, e sentirmos a vergonha alheia de um derrotado.
E o maior derrotado desta grande guerra, sou eu.
Sempre fui.
Se a minha vida fosse um livro, teria o título "de um otimista a um realista, em menos de 1 ano".
A realidade é menos inspiradora que o otimismo.
É menos inspiradora que os sonhos.
E é menos inspiradora que esse querer de virar a vida de uma vez para melhor.
Mas depois volto a recordar, que o divórcio na minha vida, veio para ficar.
E ao sujeitar-me a isso, assino a minha própria certidão de divórcio.
Se o divórcio não existisse, a maioria da tristeza que o mundo vive, seria totalmente inexistente.
E sonho com o dia, em que de uma vez por todas, me divorcie de tudo aquilo que sinto há quase 1 ano.

Perdidamente

Já dizia o Luís Represas através da sua banda "Trovante":
"Ser poeta é ser mais alto
É ser maior do que os homens
Morder como quem beija
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do reino de aquém e de além dor".
Um poeta que não se considera como tal, mas que especialistas dizem que tem ares disso.
Um reino dessa além dor que me vai consumindo desde há muito e tanto tempo.
Dizem que as derrotas custam, mas não nos matam.
E perder o melhor de mim, foi perder-me na mesma proporção.
É como perder uma guerra, em vez de uma única batalha.
É estar perdido sem GPS, no meio do nada, à procura de encontrar o caminho para a felicidade.
E sim, sinto-me perdido, à procura de tentar encontrar-me.
À procura de um dia voltar a ser eu mesmo.
À procura de progredir e seguir o caminho tão distante, como é a vida.
Mas sem GPS's, bússolas ou mapas, não me resta muito mais que parar.
À espera de alguém que me dê a mão, como outrora, e que me ajude a andar, sem medo, por esse caminho das rotinas e da vida.
O medo que se alia ao receio e à ansiedade.
Com esse medo, com esse receio, com essa ansiedade, e com essa culpa de não voltar a ser feliz, como já fui um dia.
Mas perder-nos não é saudável.
Perder-nos, leva-nos à tristeza, leva-nos à reflexão constante desse alguém que um dia perdi, perdendo-me igualmente a mim mesmo, por ter levado boa parte daquilo que era e que me tinha tornado.
Se um dia escrever o tão ambicionado livro que quero, "perdidamente" será sem dúvida o título, de alguém que se perdeu, e que nunca mais se reencontrou.

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Palavras poderosas não necessitam de ter muitos algarismos.
Há uma que tem apenas 2 algarismos, e que possivelmente é das palavras mais poderosas do nosso dicionário.
O F de força e o E de esperança, ajudam a definir um pouco daquilo que é a palavra "fé".
A fé que move multidões, a fé que nos faz ter esperança no hoje e no amanhã.
Independentemente da fé e da religião de qualquer pessoa, fé significa mesmo isso que acabei de definir.
E nesta peregrinação do dia 13 de Maio de 2021, decidi vir me reconstruir espiritualmente àquela que é a minha maior fé.
Fátima e a igreja católica ajudam-me a acalmar nos momentos de tribulação, de dor, e de sofrimento.
É aqui que entendo o verdadeiro significado da palavra fé e sobretudo da palavra paz.
Na fé de que tudo vai melhorar, e de que tudo vai ficar bem.
Depois de um ano extremamente difícil para todos.
Eu não fui exceção.
No ano transato, vontade não me faltou de cá vir.
Mas compromissos profissionais e pessoais, afastaram-me de qualquer e de todas as peregrinações do ano de 2020 (de todos os dias 13's de Maio a Outubro).
Nesta peregrinação do dia 13 de Maio, resta-nos entender o significado de tudo o que vivemos neste último ano, tirar as conclusões e os ensinamentos, e sobretudo não voltar a cometer os mesmos erros anteriores.
Se todos os corações tivessem fé, com toda a certeza que viveríamos num mundo melhor.

sábado, 8 de maio de 2021

Álcool

O álcool que desinfeta, mas infeta e afeta.
O álcool que é bom para as mãos, mas mau para o organismo, para os pensamentos e para os sentimentos.
O álcool que nos acalma, mas que mexe com todos os nossos sentidos.
É ao álcool que me vou agarrando.
Desde de início.
Muito antes de perder aquela que considero a minha maior conquista da minha vida.
Se calhar até acabou por ser irracionalmente o álcool que me fez perder essa mesma conquista...
Não sei, só Deus sabe!
Mas posso dizer que o álcool é o que me define desde então.
O álcool engana-me e engana-nos a todos os que achamos que com ele vivemos uma vida mais descontraída e relaxada.
Uma droga legal, que é ilegal para quem ama e para quem sente.
E se meios termos faltassem, o que não falta, são vidas estragadas por esse mesmo álcool, e por essas drogas, quer sejam legais ou ilegais.
É o nosso melhor amigo nessas horas de dor e de sofrimento.
Levanta-nos temporariamente a autoestima sem levantar.
Preenche um vazio que nos invade sem preencher.
Leva-nos todo e qualquer tipo de vida sem nos levar.
É um veneno que entra sorrateiramente dentro de nós sem darmos conta.
Um veneno quase a lembrar Romeu e Julieta.
E para quem um dia amou de verdade, recordar Romeu e Julieta, é recordar o verdadeiro amor.
E por muito que digam que a história de Romeu e Julieta foi a única que existiu, em que ambos os protagonistas da história morreram por amor, a verdade é que sinto que sou um Romeu diariamente, mas sem essa Julieta que me abandonou, mesmo me tendo considerado a certa altura como o seu príncipe encantado.
E é por isso que me entrego a esse álcool e a esse veneno, que me ilude, mas que não me desilude mais que essa Julieta que um dia amou.
Sarah Westphal dizia que para os amores impossíveis, a única solução é tempo.
Mas falei desse sujeito (tempo) num dos últimos textos que escrevi, e parece que qualquer pinga desse mesmo álcool, não apaga essa saudade, essa dor, esse sofrimento, e essa tribulação que vive comigo há mais de 11 meses.
Resta-me acreditar nas crenças que tenho, para tentar, eventualmente, ultrapassar e superar tudo o que sinto e ressinto.
Se o álcool fosse o meu melhor amigo, ele não me desidratava, mas hidratava-me não só no corpo humano, como hidratava-me de paz, calma, e de um amor para o resto da minha vida.

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Desejo

"Hoje eu lembrei-me
Foi tudo cor de rosa e c'est fini"
Podia ser alguma citação de um texto meu anterior.
Mas não.
Quando o rapper Bispo escreveu mais uma música, sabia o que era viver aquilo que sinto, todos os dias, desde que o tudo para ele, se tornou nada.
E curiosamente dizem que se tirarmos a palavra "amor" da palavra "namorada", fica mesmo isso, nada.
É o nada que me ilumina, sem me iluminar.
É o nada que me inspira, sem me inspirar.
É o nada que me aflige e não me acalma, ampliando o vazio que carrego. (citando Sarah Westphal)
Sonho com o dia em que as feridas se tornem finalmente cicatrizes.
Sonho com o dia em que não sofra mais por tudo aquilo que tenho passado nestes 11 meses.
Mas revivo, recordo, e desejo tudo no pensamento e no sentimento.
Desejo voltar atrás, e voltar a amar o melhor de mim.
E se dúvidas houvessem, o tempo vai me esclarecendo essas mesmas dúvidas.
Sair de um relacionamento tóxico, dói, mas quando dá o clique, percebe-se que as pessoas que nele viviam, mereciam melhor que aquilo que tinham.
Mas sair de um relacionamento saudável, onde ainda havia muito amor, dói, mas quando dá o clique, o lado que mais sofre sente culpa, por ter perdido alguém que realmente era mesmo muito bom, e não tendo a capacidade de guardar esse relacionamento para o resto da sua vida.
E a pessoa no fundo sabe que a culpa não é só sua.
Quando um relacionamento falha, há sempre culpa dos 2 lados.
Mas é quem mais sofre, que sente mais a culpa.
Preferia ser uma máquina e ter um antivírus que me apagasse o indesejável.
Mas se os desejos são mais desejáveis que alcançáveis, resta-nos saber lidar e sobreviver, na esperança que um dia o desejo seja finalmente indesejável.

terça-feira, 4 de maio de 2021

1° Capicua de meses

Passou depressa...
Pelo menos aparentemente...
Num abrir e fechar de olhos, já vão 11 meses de sofrimento e solidão.
Ou como gosto de dizer nos meus relatos de futebol, o primeiro número capicua de meses, desde que a felicidade que parecia eterna, se desmembrou definitivamente.
E pegando na simbologia desde número 11, sei que este número está ligado à espiritualidade, ao perfecionismo, à inspiração, mas também à cura.
Tento renovar diariamente a espiritualidade que tenho.
Acabei por me entregar mais nestes últimos 11 meses, à fé e à crença cristã que sempre tive, fruto da educação conservadora que a minha família sempre me passou (e que muito me orgulho de ter). É graças a esta educação conservadora, que acabo por não conseguir identificar-me com nada daquilo que o mundo é atualmente, nem com a facilidade que se olha a meios para atingir os fins.
O perfecionismo já falei muito nele, sobretudo no texto dos 7 meses.
Tento ser perfeito, mesmo não o sendo.
Ou pelo menos, o mais perfeito possível.
A inspiração, é o que vem de fora.
Daquilo que leio, daquilo que vejo, daquilo que oiço, e daquilo que os meus sentidos me dão.
A cura, é algo que tento encontrar, desde há 11 meses, mas infelizmente, por muito que já tenha procurado, não tem estado fácil de encontrá-la.
Vale-me a fé cristã, vale-me a entrega à espiritualidade nestes caminhos dolorosos, escuros, de tensão e de sofrimento.
Mas aquilo que quero, é a felicidade.
Aquilo que quero, é voltar a sorrir.
E aquilo que quero, neste primeiro capicua de meses, é como diz a rapper com nome artístico de "Capicua":
"Eu quero uma casa no campo como Elis Regina,
Plantar os discos, os livros,
E quem sabe uma menina,
Por mim até podem ser mais,
Um amor como os meus pais,
Os dias como os demais,
Sem serem todos iguais."

E aquilo que eu não quero que seja mais igual, foi tudo aquilo que senti, neste primeiro capicua de meses.