O divórcio, que me afeta...
Desde novo, que aprendi a lidar com esta palavra, que não existia no meu dicionário...
Começando pelo divórcio dos meus pais, que me marcou de uma maneira tão forte, que me levou na altura a uma perda tão grande da minha identidade.
E olhando para os dias que correm na minha vida, a melhor definição daquilo que estou a passar, e daquilo que o momento me coloca, divórcio, é a melhor definição.
Mas não é apenas o divórcio de alguém que um dia amei, e que decidiu seguir sem mim.
É também um divórcio de mim mesmo.
Um divórcio daquilo que eu era, e daquilo que me definia.
E confesso que adoraria que este divórcio, que é mais fantasíaco que real, fosse apenas uma fase.
Mas não é!
São cicatrizes que ficam, juntamente com as mazelas, para o resto de uma vida.
O medo de voltar a viver o que sinto, é maior que o medo de voltar a arriscar.
É maior que o medo de voltar a ser feliz.
E é maior que o medo de um dia voltar a amar.
Um medo que me vai invadindo a alma, e que me invade também o corpo, através do álcool, que é um contraste de alegria ou tristeza, à procura de um estado emocional mais ou menos estável, sem estabilizar.
A fuga de tudo.
A fuga de todos.
A fuga das 4 paredes que me prendem, sem fugir.
O divórcio de qualquer tipo de relacionamento.
Porque a vida já me mostrou que todas as pessoas de uma ou outra maneira, vão acabar sempre por nos magoar.
Mas para alguém que está tão magoado, é difícil...
É difícil conviver, é difícil sonhar, é difícil olhar para a frente, quando se olha constantemente para baixo, no intuito dos outros não verem a nossa cara de sofrimento, e sentirmos a vergonha alheia de um derrotado.
E o maior derrotado desta grande guerra, sou eu.
Sempre fui.
Se a minha vida fosse um livro, teria o título "de um otimista a um realista, em menos de 1 ano".
A realidade é menos inspiradora que o otimismo.
É menos inspiradora que os sonhos.
E é menos inspiradora que esse querer de virar a vida de uma vez para melhor.
Mas depois volto a recordar, que o divórcio na minha vida, veio para ficar.
E ao sujeitar-me a isso, assino a minha própria certidão de divórcio.
Se o divórcio não existisse, a maioria da tristeza que o mundo vive, seria totalmente inexistente.
E sonho com o dia, em que de uma vez por todas, me divorcie de tudo aquilo que sinto há quase 1 ano.
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