O álcool que desinfeta, mas infeta e afeta.
O álcool que é bom para as mãos, mas mau para o organismo, para os pensamentos e para os sentimentos.
O álcool que nos acalma, mas que mexe com todos os nossos sentidos.
É ao álcool que me vou agarrando.
Desde de início.
Muito antes de perder aquela que considero a minha maior conquista da minha vida.
Se calhar até acabou por ser irracionalmente o álcool que me fez perder essa mesma conquista...
Não sei, só Deus sabe!
Mas posso dizer que o álcool é o que me define desde então.
O álcool engana-me e engana-nos a todos os que achamos que com ele vivemos uma vida mais descontraída e relaxada.
Uma droga legal, que é ilegal para quem ama e para quem sente.
E se meios termos faltassem, o que não falta, são vidas estragadas por esse mesmo álcool, e por essas drogas, quer sejam legais ou ilegais.
É o nosso melhor amigo nessas horas de dor e de sofrimento.
Levanta-nos temporariamente a autoestima sem levantar.
Preenche um vazio que nos invade sem preencher.
Leva-nos todo e qualquer tipo de vida sem nos levar.
É um veneno que entra sorrateiramente dentro de nós sem darmos conta.
Um veneno quase a lembrar Romeu e Julieta.
E para quem um dia amou de verdade, recordar Romeu e Julieta, é recordar o verdadeiro amor.
E por muito que digam que a história de Romeu e Julieta foi a única que existiu, em que ambos os protagonistas da história morreram por amor, a verdade é que sinto que sou um Romeu diariamente, mas sem essa Julieta que me abandonou, mesmo me tendo considerado a certa altura como o seu príncipe encantado.
E é por isso que me entrego a esse álcool e a esse veneno, que me ilude, mas que não me desilude mais que essa Julieta que um dia amou.
Sarah Westphal dizia que para os amores impossíveis, a única solução é tempo.
Mas falei desse sujeito (tempo) num dos últimos textos que escrevi, e parece que qualquer pinga desse mesmo álcool, não apaga essa saudade, essa dor, esse sofrimento, e essa tribulação que vive comigo há mais de 11 meses.
Resta-me acreditar nas crenças que tenho, para tentar, eventualmente, ultrapassar e superar tudo o que sinto e ressinto.
Se o álcool fosse o meu melhor amigo, ele não me desidratava, mas hidratava-me não só no corpo humano, como hidratava-me de paz, calma, e de um amor para o resto da minha vida.
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