quinta-feira, 29 de julho de 2021

Purgatório

Mais um dia no purgatório.
Mais uma chamada a cair na caixa do correio.
A vida que faz sentido, sem fazer.
Digo isto, porque quando olhamos para o hoje, a vida não faz sentido.
Mas se olharmos para trás, e cruzarmos todos os pontinhos, a vida até que faz algum sentido.
E Deus que escreve direito por linhas tortas...
Uma chamada que é feita desde do purgatório.
E eu não sei muito bem onde estava o cantor "Conan Osiris", quando dizia que tentava ligar para o céu, e não conseguia.
Mas falo de uma chama que queima.
Por dentro e por fora.
Por dentro, através do sofrimento, por fora, através do fogo, que é a vida.
E eu sou tão quente, tão fogo, e tão sentimental...
No mundo gelado em que vivemos hoje, irrita-me profundamente ser tão quente e tão sentimental.
E o gelo, quando é frio demais, também queima...
Mas sei que são caraterísticas que trago comigo.
Que fazem parte de uma pessoa, e de uma personalidade que cada vez tem menos personalidade.
Um amor próprio que não é suficiente, quando sentes que falta algo na tua vida, que te complete.
E eu sei bem daquilo que necessito.
Mas o tempo não me traz o que tanto ambiciono.
E com isso, acabo por voltar a queimar no purgatório.
Nos medos, nos receios e nas dúvidas.
Na ansiedade, na impaciência e na dor.
Na infelicidade e na constante falta de paz.
Na ausência de um amigo.
Que nos oiça, que consiga sentir momentaneamente aquilo que estamos a sentir, e que nos consiga dar bons conselhos, em relação a este purgatório.
Uma chama num purgatório que não queima sempre com a mesma intensidade.
Intensidade essa que não falta, quando o mesmo purgatório nos chama.
Às vezes queima demais para aquilo que nós conseguimos aguentar.
As lágrimas e o choro que deitamos, quando o fogo nos queima, não são suficientes para apagar essa chama.
Outras vezes queima de fininho, sendo uma chama tão sonsa, que começa a arder sem darmos conta, e quando damos, nem que chamem os bombeiros para apagar, que não conseguimos.
E a confusão que se instala, ao tentar apagar o fogo do purgatório, é tão comparável à confusão que se vive neste mesmo purgatório.
Mas se pudesse escolher a única chama que queria, não era esta do purgatório, mas sim a chama da paz, da felicidade e do amor.
Para que o fogo deixe de arder, e que as pombas brancas me levem desde do purgatório, ao céu, onde só a paz, a felicidade e o amor reinam.

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