quarta-feira, 21 de julho de 2021

Primeiro dia

"Hoje é o primeiro dia
Do resto da tua vida"
Sabendo o meu progenitor da existência destes textos, ele acabou por lançar-me quase que um repto.
Enviou-me duas músicas do Sérgio Godinho, para me inspirar a escrever novos textos.
Mas nem ele sonha como foi o primeiro dia.
O primeiro dia em que se deu aquilo que já defini como "incêndio" noutros textos.
Nem ele sabe que esta música do Sérgio Godinho, era das mais ouvidas da minha playlist, na altura do "incêndio" (mas agora vai saber).
Até criei algo que eu definia como "beber ou bebedeira à Sérgio Godinho".
Com garrafas enormes de bebidas alcoólicas, mandava garrafa abaixo sempre que o Sérgio Godinho nesta música dizia "bebe-se", "apaga-se" e "brindam-se".
Era desde que o Sérgio Godinho dizia uma dessas expressões, até ao final do refrão, sempre garrafa após garrafa abaixo.
Era um pouco como o efeito da música "Jamming" do Bob Marley (quem consome ou já consumiu estupefacientes leves, sabe ao que me refiro).
Mas voltando ao tema do texto, após todo este enquadramento, ainda me vou questionando quando é que foi o primeiro dia.
Ou se ainda nem sequer chegou o primeiro dia do resto da minha vida.
O medo de voltar a passar no futuro, por aquilo que passei no passado recente, remói-me.
E isso faz me ter medo de arriscar.
Faz me ter medo de atirar no escuro, quando antes nem precisava de luz para disparar para o que quer que fosse.
E hoje sinto a falta do primeiro dia.
Do primeiro dia da verdadeira felicidade.
Do estado puro em estado sentimental.
E faz me falta.
Faz me falta algo para me completar.
Porque sinto que me falta algo.
Amor próprio não tinha, já o tenho.
Querer seguir o meu caminho, já o sigo.
Confiança em Deus, já confio.
Mas depois sinto que me falta qualquer coisa, que me ajude a completar.
Não sei se é algum tipo de vazio, não sei.
Eu que costumo facilmente identificar o que normalmente sinto, não estou a consegui-lo desta vez.
E isso deixa-me apreensivo durante os dias.
Só me sinto bem e em paz, quando pego no terço, e começo a rezar.
Não é por nada que nestes últimos tempos, passo horas e horas de terço agarrado na mão a rezar.
A pedir.
A pedir para que Deus não se esqueça de mim.
A pedir para que ainda vá a tempo de realizar os meus sonhos principais, mesmo sabendo que estou e estamos perto do fim.
E aí, tento perceber o que realmente é o primeiro dia do resto da minha vida.
E espero conseguir identificar com menor dificuldade, quando é que o primeiro dia do resto da minha vida vai chegar, se é que já chegou, e se será realmente este o primeiro dia do resto da minha vida.

Sem comentários:

Enviar um comentário