Cada vez que regresso...
Cada vez que venho...
Cada vez que volto...
É o sentimento de um estado completo.
À beira do meu Rio Arade, escrevendo mais um texto, mais uma reflexão de muitas.
O Arade que me inspira e expira.
O beijo da mãe, as traquinices da mana, as zangas do pai...
Acho que nunca valorizamos verdadeiramente as coisas enquanto temos.
É um defeito do ser humano.
Chorar, por tudo e por nada.
Depois ligamos a televisão nas notícias, e percebemos que somos uns Senhores Priveligiados, e ainda nos dignamos a chorar, por não termos o que mais desejamos.
E sabemos que o fruto proibido, é sempre o mais apetecido.
Somos ingratos.
Ingratos por vivermos uma boa vida, e mesmo assim lamentarmo-nos pelo que não temos.
E é curioso que lamentamos mais aquilo que não temos, do que valorizamos aquilo que temos.
E depois desço mais uma vez...
Faço os ingratos 600 quilómetros, e volto.
Volto a estar com quem amo verdadeiramente, e a quem deveria entregar-me verdadeiramente, porque são pessoas que por mais que me possam desiludir, ou que eu possa desiludir, são pessoas que sei que jamais me abandonarão.
Que fazem tudo por mim.
A família é tão importante para nós mesmos, quando queremos estacionar e estabilizar.
E sentirmos a ausência dos nossos únicos afetos...
É um sentimento extremamente negativo.
E pode parecer que não, mas este sentimento extremamente negativo, assola-me há praticamente 3 anos.
Por desejar sempre o que não tenho por perto, ou que não posso ter.
Voltar à minha terra é sempre medicinal.
O meu Algarve foi a melhor herança que me deram e deixaram.
Porque o paraíso onde muitos passam férias, é o paraíso de onde eu vim, e de onde eu sou, dizendo-o de peito cheio, sempre orgulhosamente.
E todo o sentimento deste estado completo que falei acima, acaba quando volto novamente a "galgar" 600 quilómetros para norte.
Porque sonho com o dia em que volte, sem uma ida.
E porque no fundo eu sei, que um dia voltar, vai ser a melhor decisão que tomarei para a minha vida.
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