O nevoeiro que se abate sobre a "antiga, mui Nobre e sempre Leal Invicta Cidade do Porto", é comparável a um outro nevoeiro que vai se abatendo sobre mim.
É na descrição deste nevoeiro que me concentro.
Um nevoeiro que nos impossibilta de ver a diante.
Quer vá no carro, no metro, no autocarro, no comboio, a pé, ou no pensamento.
Um nevoeiro que é de certa forma ingrato.
Sobretudo para quem sonha.
Mas nem sempre quando um homem sonha, a obra nasce.
Às vezes há obras que não têm de nascer.
Outras têm, mas não podem crescer.
Outras crescem, mas depois são demolidas.
Só o nevoeiro não é demolido.
Às vezes questiono-me o porquê das nuvens pairarem tantas vezes tão baixo.
O nevoeiro que é como sentir um autêntico murro no estômago.
Deixa-nos de certa forma enjoados, e a cambalear de um lado para o outro, não vamos nós atropelar alguém, com tanto nevoeiro que faz.
Mas depois apercebo-me que quem atropela quem, é o nevoeiro a mim.
Na incerteza de tudo o que vamos vivendo.
Nos riscos que não corremos, por já termos sido demasiado riscados.
Noutras vezes, vamos na fé, e logo se vê.
Se as coisas correrem mal, tenta-se outra vez, como a primeira vez.
Ou quando é duro demais para tentarmos, simplesmente abstém-se de tentar.
Ao nevoeiro que incomoda.
Ao nevoeiro que cria náuseas.
Ao nevoeiro que equivale um sentimento.
Quando nem as luzes de um candeeiro da rua, conseguimos ver durante a noite, por culpa desse nevoeiro.
A noite, a escuridão, a solidão, o nevoeiro...
Uma boa receita para quem sente e ressente os dissabores diários de uma vida de sorte ao azar.
Porque se o nevoeiro passasse de uma vez, e as nuvens partissem, veria finalmente o sol a brilhar na minha vida.
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