sábado, 6 de novembro de 2021

Num abrir e fechar de olhos

De um pensamento, que a pouco e pouco passa a sentimento.
Sempre que abrimos os olhos a um sonho, fechamos os olhos à realidade.
O sonho leva-nos pelas asas do pensamento, daquele que seria o mundo ideal.
O nosso mundo de sonho, os nossos planos, as nossas ideias, o nosso querer...
Tudo nesse mundo é tão lindo, que o arco-iris colore o céu, as árvores assobiam, os pássaros cantam, o mar sorri.
Imaginar o mundo dos sonhos, dá-nos vida.
Mas passado esse tempo de imaginação furtiva, acabamos por fechar os olhos aos sonhos, e abrimos os olhos à realidade.
A realidade, não é tão inspiradora, como essa imaginação dos sonhos.
Neste mundo da realidade, nem tudo é lindo, o azul nem sempre colore o céu, e ultimamente onde vivo, o céu é mais composto pelo cinzento que pelo azul, as árvores respiram, mas muitas vão para o matadouro, os pássaros mal conseguem viver devido à poluição, o mar cada vez se torna mais agressivo, e sem vida.
Curiosamente tudo o que descrevi, pode ser lido em 2 contextos.
No contexto real, ou no contexto metafórico.
Neste contexto metafórico, abrir os olhos aos sonhos, é continuar a acreditar.
A acreditar que um dia vou voltar a viver o que sonhei e vivi noutrora.
Que a vida não se esqueceu de mim, e que posso continuar a acreditar que pode ter passado uma fase excelente, mas que mesmo assim, ainda vem algo melhor que aquilo que já vivi.
Mas depois abrindo os olhos à realidade, praticamente perdemos a esperança.
As dores das provações, a dureza da vida que carrego, a distância a que estou daqueles que mais gosto...
Tudo se torna tão negro num abrir e fechar de olhos.
Mas que um dia, num abrir e fechar de olhos, esteja a viver durante o resto dos meus dias, tudo aquilo que sonho e sonhei.

Sem comentários:

Enviar um comentário