sexta-feira, 29 de junho de 2018

"Do Quase Não Reza a História" - Adaptação do Texto de Sarah Westphal

É a primeira vez que vou fazer uma adaptação de um texto, que ultimamente tem me ajudado a refletir muito sobre a vida.
É muito difícil editar um texto quase perfeito como este, tentado transportá-lo para uma realidade pessoal.
No fundo, vou fazê-lo com sentimento.
Espero que gostem.


Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase conquistou morreu na praia, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo e receio, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver acomodado.
Pergunto-me, às vezes, porquê que a vida nos ensina as coisas quase sempre da pior maneira; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, porque a vida é uma aprendizagem contínua, desde do nosso nascimento, até à nossa morte. No fundo estamos sempre a aprender. Por isso, às vezes sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai, a carência droga-nos. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao nosso alcance, mas só quem acredita, pode sonhar em alcançar um objetivo. Por isso é que por muito que quase possamos alcançar um objetivo, nunca podemos nos arrepender dessa luta, porque só lutando, é que podemos saber se valeu ou não a pena. Para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores e amizades impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou magoado, de modo a economizar alma. Uma paixão cujo fim é instantâneo ou indolor não é paixão. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planeando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

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