Duas mãos cheias de meses se passaram...
10 meses em que progressos quase não foram notórios.
10 meses de sofrimento, 10 meses de aflição, 10 meses de tristeza, 10 meses de mágoa, 10 meses de dor, 10 meses de ausência, 10 meses de saudade.
Diz se que o tempo cura tudo.
A mim não!
E se um sofrimento não se cura em 10 meses, então ele ficará eternamente dentro de nós.
E isso tem tanto de filosófico, como de realista.
Cansei-me de lutar contra o sofrimento, para ver se ele me larga de uma vez.
Mas ele continua, desde do primeiro dia há 10 meses, até hoje.
Tentei aprender a lidar e a viver com esse mesmo sofrimento.
Mas tudo aquilo que aprendi, foi a viver a ausência e a saudade daquilo que considero ter sido o melhor de mim.
Eu sei que isto só se resolve de uma maneira.
A mesma que há 10 meses pensava que seria a única solução e saída.
A mesma que há 10 meses queria que fosse a única solução e saída.
Mas o problema, não sou eu.
Nunca fui.
O problema é quem gosta de mim.
Tirando a minha família, ninguém gosta de mim, é um facto.
Há quem faça de conta que gosta, para aparecer na fotografia, mas na realidade, conto pelos dedos aqueles que realmente me admiram naquilo que me tornei, e que até eu tenho nojo.
É verdade que os mais próximos de mim, gostam mais de mim, que eu mesmo.
Não é ser duro ou injusto para comigo.
É ser realista.
E prefiro viver na realidade, por mais dura que seja, que viver na ilusão de que sou um exemplo para toda a gente, quando eu nem sou exemplo para a minha irmã, que é a pessoa que mais amo genuinamente neste mundo.
Eu peço.
Eu rezo.
Tenho fé, tenho esperança.
Mas cada vez mais, parece que essa fé e essa esperança não são suficientes para que esta dor se vá embora.
Para que a minha vida volte a dar outra volta de 180° para melhor.
Para essa felicidade extrema, que um dia senti, e que só queria viver diariamente, regressar de vez, e definitivamente.
Mas a felicidade que aparece devagar, depressa se vai.
E a tristeza que depressa aparece, devagar se vai.
É duro, é inenarrável tudo aquilo que sinto, há demasiado tempo.
Com tantos psicólogos que já tive ao longo deste tempo, e nenhum conseguiu fazer nada por mim.
Porque os psicólogos só resolvem assuntos mentais.
Mas sentimentais?
Nem o melhor psicólogo do mundo tem qualificação suficiente para resolver uma dor e um sofrimento tão profundo, como aquele que tenho.
Amar é sofrer.
E a vida já me mostrou que o meu fado e o meu vaticínio é com azar ao amor, ao jogo, e sorte ao azar.
Mesmo sabendo que deveria depender mais do amor próprio, que de o amor de outros, que depois partem sem deixar rasto.
Mas infelizmente é desse amor que sinto ausência.
Porque todo o amor próprio, é incomparável ao amor que já senti por outra pessoa.
E é por ter sentido esse amor por outra pessoa, de forma tão intensa, que o sofrimento é igualmente tão intenso.
Se um dia ultrapassar e superar todo este sofrimento (que cada vez mais duvido), não irei ter capacidade, nem querer voltar a amar mais uma vez.
E é por não querer, que fico com duas mãos cheias de nada.
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