quinta-feira, 29 de abril de 2021

Tempo

Tic tac...
O tempo que dói de ouvir.
O relógio que faz tic tac a cada segundo que passa.
É o tempo que me custa, é o tempo que custa a passar.
As dores do passado, não me trazem nada de inspirador e de motivador para o que falta da minha vida.
E se a inspiração vem dos outros, a motivação vem de nós.
Mas independentemente do que venha de fora, ou de dentro, nada é suficiente para me fazer feliz.
Nenhum motivo é suficiente para me fazer voltar a sorrir com toda a genuinidade.
À exceção da minha irmã, que está tão longe...
Mas engano-a.
A mim, e a ela.
E mesmo sabendo que não a engano como queria, porque os mais jovens pressentem com grande facilidade aquilo que os adultos sentem, vou tentando enganar.
Falam-me em luto traumático.
Falam-me em anos.
Mas quando achamos que o tempo que passou é mais que suficiente, o que podemos fazer?
Acho que tenho tentado seguir aquilo que é a minha intuição.
Mas o que é a minha intuição?
Encarar, saber lidar, saber sobreviver...
Mas dizer a alguém para sobreviver, quando esse mesmo alguém viveu, é incoerente.
É a arte de enganar no seu melhor.
É o tempo a passar, mas as dores a ficar.
É duro demais.
É demasiada tristeza para uma só alma.
Porque o tempo devia ser o nosso melhor conselheiro, mesmo não o sendo.
Porque o tempo só é tempo para o que lhe interessa.
E se o tempo não passar, vou continuar a recordar esse tempo, de quando o tempo era tempo.
De quando o tempo corria, e não mandava.
Quando o meu bem estar, se sobrepunha ao tempo.
E por cá, passados quase 11 meses, recordo o tempo da minha genuína felicidade e da verdadeira entrega a esse alguém que o tempo preferiu levar.
Tic tac.

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