quarta-feira, 30 de junho de 2021

Morrer na Praia (Parte 2)

Uma expressão que ficou marcada, naquele mítico jogo de futebol entre a Grécia e Portugal, da final do Euro 2004.
3 anos e 2 dias depois de ter escrito um texto sobre este mesmo tema, prefiro voltar a falar dele.
Na parte 1, refleti sobre o meu 2° grande desgosto amoroso da minha vida.
De um quase, que não deu em nada (como alguns outros que tive).
Falei do sentimento de angústia, que é "morrer na praia".
Mas passados 3 anos e 2 dias, a realidade é que me habituei a viver com esta triste sina.
É o fado português no seu melhor.
O fado que em nada tem jogado a meu favor, mas que com o tempo nos vamos habituando.
Sempre mais uma vez, como da primeira vez.
Já não me incomoda morrer na praia, como antes.
Sei que é o meu fado.
Há quem nasça com a estrelinha do seu lado.
Tenho um amigo no Algarve, que a estrela o acompanha desde sempre.
Ele tem sorte em tudo.
O fado joga sempre a favor dele, e daquilo que ele ambiciona.
Mas há pessoas com quem o fado não quer nada.
E eu sou uma dessas.
É verdade que o fado já me fez conquistar coisas que pensei serem impossíveis.
E quando me refiro a isto, lembro-me sempre do sonho da rádio e do relato de futebol, em que comecei do nada, e hoje sou considerado por muitos como um dos melhores.
Mas o fado não joga a meu favor, quando tenho que manter o que conquistei.
Não é por nada que dizem que conquistar é mais fácil que manter.
E que manter é mais difícil que perder.
Com isso, aprendi que não vale de nada lutarmos contra o nosso fado.
Há apenas que saber aceitar ele.
Mesmo sabendo que irei arriscar sempre que tiver oportunidade de arriscar, mesmo já sabendo como será o resultado final, acreditando sempre que um dia o fado pode inverter este meu fado que me tem assolado durante toda a minha vida.
Ninguém merece estar constantemente a morrer na praia.
Não é saudável.
Mas aprendi que também tem de existir pessoas que morram sempre na praia, para mostrar aos outros que a vida não é fácil, e que devemos valorizar sempre cada conquista.
É como ser um mero figurante no meio de um filme, mesmo ambicionando um dia ser a personagem principal da vida.
Mas esse papel é um papel caro, é um papel que não está destinado a todos, e muito menos a mim.
Que a vida e que o fado me mostrem que há mais vida que morrer na praia.
Porque no dia em que deixar de morrer na praia, não voltarei a morrer na praia mais nenhuma vez na minha vida.

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